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  • Luiz Vieira

Tema de Tchaikovsky ganha letra de Marcelo Quintanilha em gravação com Virgínia Rodrigues

Em ritmo de congado, o dueto dos dois artistas traz diversidade e brasilidade para o tema clássico

Foto: Elenize Dezgeniski.


A cantora Virgínia Rodrigues é a convidada especial de Marcelo Quintanilha no terceiro single do projeto EruDito. A canção Bem Me Quer, a partir da Abertura Romeu & Julieta, de Tchaikovsky, chega às plataformas digitais no dia 18 de dezembro.


A participação de Virgínia Rodrigues sintetiza o conceito do álbum de fazer uma ponte entre o erudito e o popular. Virginia é a personificação desse elo. Levando Tchaikovsky para o interior do Brasil, vestido num híbrido congado, o dueto dos dois artistas traz Romeu e Julieta à diversidade e à brasilidade propostos pelo artista. A faixa conta com a percussão de Danilo Moura, os violões e viola caipira de Camilo Carrara, a clarineta de Luca Raele e o baixo acústico de Danilo Vianna.


“Quando pensei na Virgínia, achei que ela seria ideal para fazer uma aproximação do erudito com o popular. Ela canta lindamente com aquele timbre e impostação característicos, quase de maneira erudita, e eu achei que a voz dela casaria perfeitamente com esse projeto, ainda mais nessa canção, a única pensada como um dueto mesmo”, conta Quintanilha.


Em EruDito, Marcelo Quintanilha compôs letras para melodias de compositores clássicos. Com direção artística de Luca Raele e Camilo Carrara, dois singles já foram lançados: Nem Pais Nem Paz, a partir do Poco Allegretto da Terceira Sinfonia de Brahms, com participação de Padre Fábio de Melo e Três Sinais, a partir do Improviso Op. 90 n˚3, de Schubert, com Mônica Salmaso. O álbum completo será lançado em 2021 pelo selo Yb Music.


Toda a pesquisa, escolha de repertório, conceito musical e arranjos foram feitos a seis mãos, por Luca, Camilo e Quintanilha. Entre as peças clássicas escolhidas estão composições de Johann Sebastian Bach (1685-1750), Claude Debussy (1862-1918), Antonio Vivaldi (1678-1741), Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791), Ludwig van Beethoven (1770-1827), Franz Schubert (1797-1828), Frédéric Chopin (1810-1849), Johannes Brahms (1833-1897) e Piotr Ilitch Tchaikovski (1840-1893).


As músicas têm como base um quarteto formado por Marcelo Quintanilha (voz e violões); Camilo Carrara (violões, bandolim e guitarra), Luca Raele (piano e clarinete) e Danilo Vianna (baixo acústico), além da participação de Peu Del Rey e Danilo Moura (percussão) e Edmilson Capelupi (violão 7 cordas) em duas faixas. E, para criar essa mistura entre o popular e o erudito, as canções ganharam versões bem brasileiras, passando pela bossa-nova, moda de viola, marcha-rancho, samba-choro e congado. Com versos inteligentes, sensíveis e atuais, as letras foram compostas com todo rigor e respeito às melodias originais, e tratam de temas variados, do social (como a questão dos refugiados), ao romântico e lírico.


Marcelo Quintanilha teve o cuidado de respeitar os temas evocados pelas próprias peças eruditas para criar as letras. Para o compositor, este foi o trabalho mais difícil de sua carreira, que chega agora ao seu décimo segundo álbum. E este projeto permite trazer aos ouvidos de uma nova geração o acesso e o interesse pela música erudita de uma maneira totalmente inovadora, quebrando as barreiras e criando uma ponte entre a música clássica e a canção popular.

Para ouvir

Nem País Nem Paz (part. Pe. Fábio de Melo) – Lançada em outubro

Johannes Brahms / Marcelo Quintanilha

Sobre Poco Allegretto da Terceira Sinfonia

https://bit.ly/375U1TW

Três Sinais (part. Monica Salmaso) – Lançada em novembro

Franz Peter Schubert / Marcelo Quintanilha

Sobre Improviso Op. 90 n˚3

https://bit.ly/3n00QvR

Foto: Luan Cardoso.


Sobre Marcelo Quintanilha


Marcelo Quintanilha é paulistano e cresceu em um meio musical. Em 1992, aos 23 anos, Quinta, como se tornou conhecido, classificou-se como o “compositor mais jovem” entre os finalistas do Festival da Record com a canção Domingo Outra Vez, homenagem aos festivais dos anos 60.


Ao longo de seus quase 30 anos de carreira, já lançou 12 discos, entre eles, CAJU – As Canções de Cazuza por Marcelo Quintanilha (2018), Eu Inteiro Só (2016), Cumulus Samba (2012), Quinto (2008), Pierrot & Colombina (2006), Mosaico (2005), Sala de Estar (2003), Quinta (1998) e Metamorfosicamente (1995).


Faz parte, com Jota Velloso e Thathi, do coletivo Os Marchistas, banda que desde o carnaval de 2013 vem se destacando na folia de Momo com seu show contagiante e irreverente. Em 2014, Os Marchistas lançaram seu primeiro CD, homônimo.

Além disso, é parceiro em muitas canções de Daniela Mercury, Carlos Careqa e Tenison Del Rey, e teve suas composições gravadas por artistas como Vania Abreu, Padre Fabio de Melo, Belô Veloso, Péri e Nando Reis.


Sobre Luca Reale


Clarinetista, pianista, arranjador e compositor nascido em São Paulo. Entre 1990 e 1995 integrou a Orquestra Sinfônica Municipal e a Jazz Sinfônica. A partir de 1987, participa do grupo Nouvelle Cuisine (prêmios Sharp e APCA), e desde 1991 do conjunto de clarinetas Sujeito a Guincho (Prêmio Eldorado de Música e Sharp).


Com o Sujeito a Guincho obteve reconhecimento internacional, principalmente através dos convites para apresentações no Clarinetfest (organizado nos EUA) em 1997, 1998, 2001; em Washington e Miami (Broward Center), com Mônica Salmaso, em 2006; e no Conservatório Tchaikovski em Moscou, em 2008. Em julho de 2004, integra o World Clarinet Quartet, com Claudio Puntin, Paulo Sérgio Santos e Gabriele Mirabassi, no Traumzeit Festival em Duisburg, Alemanha. Indicado ao Prêmio da Música Brasileira em 2015 como arranjador.


Em gravações ou concertos, atuou junto a artistas e grupos como o Quarteto Guarnieri, Quarteto de Cordas Municipal (SP), Orquestra Experimental de Repertório, Mônica Salmaso, Nelson Ayres, Paulinho da Viola, Egberto Gismonti, André Mehmari, Marisa Monte, Milton Nascimento e Antônio Nóbrega, entre outros.


Sobre Camilo Carrara


Camilo Carrara é diretor e produtor musical, violonista, multi-instrumentista, arranjador, compositor, professor e consultor de sound branding (Identidade Sonora das Marcas). É nacharel pelo Departamento de Música da ECA-USP e especialista em Gestão de Marketing Estratégico com MBA pela FEA-USP. É também professor de violão do Nacional Music Festival, em Maryland (EUA), do Departamento de Música da Faculdade Cantareira e da Pós-Graduação da Faculdade Santa Marcelina, em São Paulo. Sua discografia consiste em mais de 80 CDs, entre colaborações e trabalhos solo.