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Romance O Idiota, de Dostoievski ganha adaptação para formato de podcast a partir de 29 de novembro

O projeto é em homenagem aos 200 anos do nascimento de Fiodor Dostoievski (1821-1881), e aos 80 anos da primeira radionovela no Brasil.


Ambientada num tempo em que a peste acabara de dar os sinais de arrefecimento, “Beleza: um suspiro de esperança”, radionovela disponibilizada nas plataformas de Podcast, com 8 episódios, cada um com 30 minutos, foi criada a partir do romance O Idiota, de Fiodor Dostoievski (1821-1881).


A estreia será dia 29 de novembro, segunda-feira, às 20h com bate-papo pelo Zoom com a equipe de criação e a historiadora convidada Lia Calabre, autora do livro “O rádio na sintonia do tempo: radionovelas e cotidiano (1940-1946). Neste dia serão disponibilizados ao público os três primeiros episódios pelo site e spotify do ICC - Instituto Casa Comum e os outros cinco na sequência, quarta, sexta, segunda, quarta e sexta respectivamente e seguindo o modelo de quando foram ao ar em 1941.

O idealizador e diretor Américo Córdula convidou Ivan Andrade, diretor de teatro e pesquisador da literatura russa para assinar o roteiro. A ideia era transpor sinteticamente a densa obra para uma série de 8 capítulos e adaptá-la para os dias de hoje, tendo como o mote a pós-pandemia vindoura e criando um paralelo da jornada de Michkin, aqui chamado de Miguel e a relação de amizade criada com Rogójin/Ragô e a conformação do triângulo amoroso com Nastácia Filíppovna/Natalia Filipa, mantendo o contexto muito semelhante ao que estamos vivendo, sem alterar a gramática dostovieskiana ou a chave do romance.

Michkin (o “idiota” do título) personagem central da novela é considerado um dos mais importantes da literatura mundial, um príncipe, espécie de “bobo da corte” em virtude das suas qualidades morais, um humanista em contraste com a sociedade em que está inserido e uma das pontas do triângulo amoroso entre Rogójin e a perturbadora Nastácia Filíppovna.

Diferentemente da ambientação do romance do Séc.XIX e num possível Brasil pós-pandêmico, a radionovela se passa num tempo imaginário, onde Miguel, que é um grafiteiro interpretado pelo ator Eduardo Silva, retorna de sua recuperação após uma internação para cuidar da saúde em consequência da contaminação da última cepa da Peste.


Miguel e Ragô (feito por William Mezzacapa) se conhecem no trem, como no romance original, no retorno do exílio, em busca de sua herança e para realizar o seu maior desejo de se casar com Natalia, interpretada por Pamela Machado, jovem que teve uma ascensão social e que o encantou. É neste encontro, uma festa de São João, pretensamente popular, da Associação de Caridade Órfãos da Peste, que se estabelece o arco dramático principal em torno de um triângulo amoroso que transcorre em toda a novela.

As histórias paralelas onde os demais personagens estabelecem o ambiente que o trio viverá suas relações permeadas de temáticas contemporâneas como: poder, diferenças de classe, valores sociais corrompidos, desprezo pelo dinheiro, relações abusivas contra a mulher, racismo, exclusão, desamparo, dissolução do sentido da vida.

“O desafio maior do roteiro foi traduzir de forma mais sensorial e com ritmo próprio a gênese do romance respeitando o que a linguagem suportava”, diz Andrade.

Como diz Paulo Bezerra, professor, ensaísta e um dos tradutores do autor, a obra de Dostoievski transmite menos um sistema corrente de crenças e mais um desejo urgente de crer. Essa é a razão pela qual os argumentos filosóficos e os elementos alegóricos característicos de seus romances permanecem originais e envolventes. “No nosso mundo cão de hoje, a exclusão social virou norma, e isso é uma das várias explicações para a atualidade de Dostoiévski”, diz Bezerra.

O Podcast é uma oportunidade de reviver as radionovelas que eram a principal mídia de entretenimento desde da criação da primeira emissora de rádio em 7 de setembro de 1922, ano do centenário da independência do Brasil.

As primeiras experiências com dramatizações radiofônicas antecedem a data oficial da estreia de “Em busca da Felicidade”, a primeira radionovela que ficou em cartaz de 1941 a 1943 -- a duração variava dois meses a dois anos, e iam ao ar às segundas, quartas e sextas-feiras ou às terças, quintas e aos sábados. No período entre 1941 e 1959 foram transmitidas 807 radionovelas de 118 autores pela Rádio Nacional. Oduvaldo Viana, Janete Clair e Dias Gomes estavam entre eles.

Além do enredo, Córdula optou por fazer como nas radionovelas originais que traziam nos intervalos propagandas dos patrocinadores.

"Aproveitamos esse gancho para homenagear o que talvez tenha sido o primeiro marketing de massa, depois do cinema, para criar peças fictícias de produtos que dialogam com a narrativa, fazendo críticas bem humoradas e promovendo uma reflexão das necessidades de consumo geradas pelo capitalismo para atender a falsos desejos”, destaca Córdula.

“Beleza: um suspiro de esperança” integra o projeto “A beleza salvará o mundo”, realizado pelo Instituto Casa Comum em parceria com o Programa Pontifício Scholas Occurrentes criado por Jorge Mário Bergoglio, o Papa Francisco, para disseminar a cultura do encontro no mundo, com formação à distância e como universidade livre, laica e sem paredes. Célio Turino e o Papa Francisco se conheceram a partir da experiência com os pontos de Cultura. Turino foi Secretário da Cidadania Cultural no Ministério da Cultura durante a gestão de Gilberto Gil. Concebeu e fez a implantação dos pontos de cultura difundindo o conceito de Cultura Viva em 3.500 comunidades de 1.100 municípios, que serviram de exemplo para 17 países. Na Argentina, atualmente, somam mais de 1000 pontos de cultura.

Desenvolvido neste ano em função da pandemia “A Beleza Salvará o Mundo” produziu uma série de cursos, podcasts, que somam mais de 50 programas com mais de 40 horas de programação original (Bola na rede, Metamorfoses, Poéticos Encontros, Musicada História, Economia para Quem? e Obirin, o Brasil que queremos -- pensamentos afro filosóficos feito por mulheres) e a partir deles a ideia da criação de uma radionovela que tratasse de questões filosóficas mais profundas e que estivesse em consonância com o momento atual.

“Os podcasts produzidos pelo ICC são disponibilizados para rádios comunitárias ou locais para retransmitirem os conteúdos gratuitamente em suas grades. A radionovela também será colocada à disposição das rádios. Queremos dar continuidade a este projeto de resgate deste formato em 2022 a partir de uma obra relevante da literatura mundial”, comenta Silvana Bragatto, presidente do Instituto.

“Nestes tempos de crises civilizatórias surge a necessidade de trabalhar conceitos mais profundos de forma ampla e a radionovela é um formato popular que permite isso, ”, conclui Turino.


EPISÓDIOS

Primeiro Episódio - Se as retas paralelas não se encontram não é porque não podem, mas porque têm outras coisas para fazer;


Segundo Episódio - A maior felicidade é quando a pessoa sabe porque é infeliz;


Terceiro Episódio - A caridade que não é anônima é vaidade, mas toda alma tem um preço;


Quarto Episódio Sem a escuridão, como poderíamos apreender a natureza da luz?;


Quinto Episódio - Veneramos a razão quando não conseguimos zombar de sua impotência;


Sexto Episódio - A única maneira de não congelar diante do NADA é não negá-lo, mas atravessá-lo até o fim, custe o que custar;


Sétimo Episódio - Tudo que existe carrega em si a fragilidade do milagre;


Oitavo Episódio - Ainda temos a esperança de ter alguma esperança: o que dá sentido à vida é que ela acaba.

Créditos:

Direção e Produção: Américo Córdula

Adaptação e roteiro: Ivan Andrade

Desenho de som, Sonoplastia, Direção Musical : Edézio Aragão

Assistente de Edição: Júlia Peres e Raul Teixeira

Miguel: Eduardo Silva

Ragô: Wiliiam Mezzacapa

Natalia, Gabi e menina: Pamella Machado

Narrador, Sargento e Apresentador: Tadeu di Pietro

Lisa, Cora, Apresentadora: Lara Córdulla

Propagandas: Américo Córdula

Vozes adicionais: Tadeu, Lara, Eduardo, William, Pamela, Américo

Desenho de som, Sonoplastia, Direção Musical : Edézio Aragão

Assistente de Edição: Júlia Peres e Raul Teixeira

Música “Nervos de Aço”

Composição - Lupicínio Rodrigues

Arranjo e violão - Edézio Aragão

Voz - Pamella Machado

Música tema “Esperançar”

Composição, produção e arranjo: Marco Vilane

Voz: Pamella Machado

Bateria e percussão: Kabé Pinheiro

Baixo: Éric Budney

Guitarras e violões : Webster Santos

Flautas e teclado: Tercio Guimarães

Mix e master: Edu Garcia

Coro: Pamella Machado e Marco Vilane

Gravação: Estúdio Raul Teixeira

Assessoria de Imprensa: Adriana Monteiro - Ofício das Letras

Produção: Córdula Responsabilidade Cultural

Realização: Instituto Casa Comum

Apoio Cultural: Neca Setubal

Agradecimentos: Silvana Bragatto, Célio Turino, Neca Setubal, Raul Teixeira