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  • Luiz Vieira

Público pode participar de espetáculo em novo projeto do Coletivo de Teatro Off Off Broadway

Os ingressos são gratuitos, mas é necessário fazer a reserva antes no Sympla

Foto: Bianca Fina.


O Coletivo de Teatro Off Off Broadway estreia o espetáculo O Ensaio Invisível de 11 a 20 de dezembro, com sessões on-line de sexta a domingo, às 20h. Com direção de Samanta Precioso e direção musical de Gustavo Sarzi, o experimento cênico permite ao espectador participar e interferir nos rumos da história. O elenco é formado por Morgana Sales, Fábio Teixeira, Carla Zanini, Fernanda Faria, Josias Fabian e Guigo Ribeiro.


Num futuro distópico marcado por um acidente que desencadeou um processo de caos, colapsos e rupturas, um grupo de pessoas conversa clandestinamente. Os integrantes propõem-se a correr este risco em nome do que sentem e do significado que estes encontros passam a ter em suas vidas.


O espectador pode assistir a experiência de duas maneiras: a transmissão pelo YouTube ou como espectador participativo, interagindo com a história. Nesta opção, o espectador deve acessar a plataforma Zoom através de um link que irá receber no dia da apresentação e será guiado pelos atores e poderá ser chamado a dividir experiências que já viveu, responder perguntas e contribuir com a história. Os ingressos são gratuitos, mas é necessário fazer reserva na plataforma Sympla.

Foto: Bianca Fina.


O Coletivo de Teatro Off Off Broadway iniciou o processo de criação do espetáculo há 2 anos para falar sobre as condições invisíveis das pessoas em situação de rua, tentando entender as narrativas de invisibilização e marginalização de alguns corpos. “Quando iniciamos o projeto estávamos levantando um espetáculo itinerante para entrar em cartaz no prédio histórico do casarão da Vila Guilherme, nossa residência artística. Com a pandemia e a instituição dos protocolos de segurança sanitária, tivemos que adaptar o projeto e a dramaturgia que estávamos levantando. Espero, em breve, voltar a encontrar nossos companheiros em situação de rua que, como nós, estarão com suas histórias marcadas e esperamos, menos invisíveis”, explica a diretora Samanta Precioso.


Durante os ensaios, que aconteceram de forma on-line, a ideia original foi dando espaço para o desejo do grupo, atravessado pelo momento histórico, de falar de suas necessidades pessoais. Falar como uma fuga da loucura, para escapar juntos da possibilidade eminente de caos num híbrido entre a ficção e uma camada de pessoalidade de cada ator. “Desejamos dialogar com o momento político que vivemos abrindo um espaço de imaginação coletiva de futuros possíveis. Nos debruçamos no processo a entender a conjuntura atual a fim de conseguirmos saltar para a ficção, porque acreditamos, no fim, ser essa a função do artista”, ressalta a diretora.


Samanta Precioso precisou descartar as cenas já ensaiadas e passou a aproveitar as possibilidades de jogo que só poderiam acontecer no formato digital. “Cortei cenas já levantadas e focamos nesta situação específica do distanciamento social. Passamos a entender as técnicas de luz, atuação, a criação do figurino e cenário que são muito mais do mundo do audiovisual do que do próprio teatro. O Zoom tem possibilidades sonoras limitadas, então tivemos que adaptar e jogar com o foco de texto e música, ora ao vivo, ora gravada. A equipe inteira teve que se reinventar e redescobrir a maneira como trabalhava. Acredito que o resultado é a gente, tudo junto, se reinventado como gente.”


Essa é a quarta direção de Samanta junto ao coletivo. A parceria começou em Liberdade, Justiça e Conveniências (2003), em seguida O Golpe Que Não Cabe no Baú (2005) e A Caminho de Avignon (2018). O projeto tem o apoio da Secretaria Municipal de Cultura através do 4º Edital de Fomento à Cultura da Periferia da Cidade de São Paulo.

Foto: Bianca Fina.


Sinopse

Num futuro distópico, um grupo de pessoas se encontra clandestinamente para reuniões secretas. Após um acidente, as cidades colapsaram, houve doença e caos, um grupo ideológico foi vencedor, o contato físico foi banido e teatro foi esquecido. Sem saber exatamente o que fazem ali, ensaiam uma maneira do teatro continuar existindo enquanto existir a própria condição humana.


Sobre o grupo

Com 19 anos de trajetória, o Coletivo de Teatro Off Off Broadway é oriundo da fundação do Programa Teatro Vocacional, da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo, e carrega, em sua identidade, a estética da vocação e do território periférico da zona norte da cidade, onde atua e resiste desde então.


Em sua pesquisa atual, depois de aventurar-se pela linguagem do palhaço e da rua, o grupo debruça-se sobre a escuta e atuação junto aos moradores em situação de rua tentando entender as narrativas de invisibilização e marginalização de alguns corpos. Em meio à pandemia do Coronavírus, o Ensaio Invisível é esta etapa do processo aberta ao público, resultado da fricção desta pesquisa com a linguagem e potencialidades descobertas dentro do ambiente virtual.


Em 2005, após seminários e debates sobre a Ditadura Militar, o grupo apresentou uma temporada de O Golpe Que Não Cabe No Baú. Em 2011, uma montagem de Beijo No Asfalto e, em 2012, desconstruíram Boca de Ouro, além desenvolver o projeto O Teatro Quase das Maravilhas. Foram contemplados no primeiro ano do edital Valorização de Iniciativas Culturais(VAI) em 2014, outra vez em 2016 e novamente em 2018, com o espetáculo A Caminho de Avignon.


Sobre a diretora

Atriz, diretora teatral, dramaturga, gestora cultural e educadora licenciada pela Universidade de São Paulo-USP. Idealizadora gestora da Ação Cultural premiada Ensaiando um País Melhor!. Existente desde 2006, já percorreu o Brasil trabalhando com educadores e agentes culturais das regiões o conceito de Formação de Plateias. Foi artista-orientadora e coordenadora do Projeto Teatro Vocacional da Secretaria Municipal de Cultura. É diretora e dramaturga do coletivo de teatro Off Off Broadway comtemplado por diversos editais e em 2018 premiado como Ponto de Cultura. As obras incluem A Caminho de Avignon de Dorberto Carvalho, O Golpe Que Não Cabe no Baú e Liberdade, Justiça e Conveniências e A Peça Invisível de sua autoria. Dirigiu ainda os infanto juvenis Baião de Dois, Pontas de Panos e Contos Estranhos.


Como atriz, formada pelo Teatro Escola Célia Helena e Universidade de São Paulo-USP, participou de diversas montagens entre elas Caixa de Memórias de Luis Eduardo Vendramini, com Cia Razões Inversas e direção de Márcio Aurélio; O Colecionador de Crepúsculos, de Vladimir Capella, indicação para prêmio Coca Cola de melhor atriz coadjuvante; Meu Amigo Pintor da obra de Lygia Bojunga por Vladimir Capella. Com Grupo Ocamorana, A Guerra dos Caloteiros, de Iná Camargo Costa e Márcio Boaro, Direção Márcio Boaro e Os Três Movimentos de Márcio Boaro. Entre séries, novelas, filmes e publicidade. Como dramaturga, escreveu Pontas de Panos e Contos Estranhos, Wonderful com direção de Caco Ciocler e A Árvore do Mundo com direção de Ulysses Cruz em fase de produção.


Ficha técnica:

Direção e Dramaturgia: Samanta Precioso. Direção Musical: Gustavo Sarzi. Elenco: Morgana Sales, Fábio Teixeira, Carla Zanini, Fernanda Faria, Josias Fabian e Guigo Ribeiro. Músico performance: Gustavo Sarzi. Direção de Movimento: Felipe Cirilo. Voz: Mila Valle. Produção Executiva: Lia Levin. Vídeo e Arte Gráfica: Natasha Precioso e Bianca Fina. Direção de Arte: Hobjeto. Assessoria de Imprensa: Adriana Balsanelli. Fotos: Bianca Fina.


Serviço:

O Ensaio Invisível

De 11 a 20 de dezembro – Sextas, sábados e domingos às 20h.

Duração: 35 minutos. Classificação etária: 16 anos

Ingresso: Grátis.


Reserva de ingressos e acesso à transmissão: https://www.sympla.com.br/o-ensaio-invisivel__1070339