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  • Luiz Vieira

Grupo XIX de Teatro apresenta espetáculo montado em Núcleo de Pesquisa dirigido por Ronaldo Serruya

Atualizado: Mai 10

Experimento cênico integra projeto dos 19 anos do grupo paulistano. 16 artistas mergulharam na obra A Arte Queer do Fracasso do escritor e teórico americano Jack Halberstam para criar cenas autobiográficas em diversas linguagens. As apresentações acontecem em formato digital.

O ator Irail Rezende, do Grupo XIX de Teatro - Fracasso Festival -

Foto: Divulgação - Responder Fazendo 2021


Resultado cênico do Núcleo de Pesquisa A Arte Queer do Fracasso, orientado e coordenado pelo dramaturgo e ator Ronaldo Serruya, um dos integrantes do Grupo XIX de Teatro, de São Paulo, o Fracasso Festival - Cenas Para Celebrar a Recusa será apresentado em formato digital de 13 a 16 de maio, de quinta a domingo, com ingressos gratuitos e transmissão pelo Zoom.

São 16 cenas curtas, divididas ao longo dos 4 dias de apresentação. No último dia todas as cenas serão apresentadas em salas simultâneas. As experiências misturam vídeo arte, podcast, desenhos, linguagem youtuber, trazendo em algum momento a presença do ator ao vivo na plataforma digital.

A pesquisa é uma das inúmeras ações que fazem parte do projeto Projeto XIX Ano 19: Crise e Insurreição, contemplado pela 35ª edição do programa Municipal de Fomento ao teatro para a cidade de São Paulo, e que está ocorrendo de maneira inteiramente remota, em função da pandemia.

De novembro de 2020 a abril de 2021, o Núcleo orientado por Ronaldo Serruya e Fabiano Dadado de Freitas, se debruçou sobre a obra do escritor e teórico queer americano Jack Halberstam intitulada A Arte Queer do Fracasso, lançada pela primeira vez no Brasil, em 2020. No livro, o autor disseca a noção binária de sucesso/fracasso e reivindica um novo olhar para pensarmos um sociedade obcecada com o pensamento positivo e a ideia de triunfo ligada à uma lógica neoliberal e meritocrática.

A atriz Drica Czech, do Grupo XIX de Teatro - Fracasso Festival -

Foto: Laís Catalano Aranha - Responder Fazendo 2021

“Halberstam nos apresenta uma possibilidade de encarar o fracasso como recusa. Um ato de desobediência civil. É nesse sentido que ele, o fracasso, é uma categoria queer, porque estabelece rotas de fuga e alternativas numa sociedade que vem se tornando cada vez mais obcecada com a ideia heteronormativa de sucesso. O fracasso é então um caminho trilhado pelas margens. Pode ser um projeto político para viver de outra forma, de se ter uma relação mais esponjosa com a vida”, diz Ronaldo Serruya.

O Núcleo de Pesquisa foi dividido em 2 módulos. O módulo 1 teve 40 participantes e tinha como objetivo dissecar as reflexões propostas pelo autor. Foi a partir delas que cada autor/ator escolheu uma história para desenvolver as noções de fracasso pensadas por Halberstam, e ancoradas em outros autores como Paul Preciado, Paco Vidarte, Judith Butler, Audre Lorde, Jota Mombaça, e outros. Foram selecionadas 16 histórias para a continuação no Módulo 2, que durante 3 meses aprofundou as dramaturgias de cada história e pensou a elaboração das cenas para o contexto das plataformas digitais.

“Halberstam trabalha no livro a ideia de usar o que ele chama de baixa cultura para pensar o contemporâneo. É ousado isso de um autor acadêmico assumir que se apropria de produtos da cultura de massa, como cartoons e filmes B, para apoiar suas teorias. Aqui mantivemos essa provocação, e todas as cenas dialogam com isso que chamamos de cultura de massa, baixa cultura. Queríamos usar isso para friccionar com as cenas, usar esses discursos historicamente desprezados pela intelectualidade artística e acadêmica. Cada autor/ator trouxe para sua cena autobiográfica essas referências que muitas vezes achamos bizarras e menores”, pontua Serruya.

Desde 2005 o Grupo XIX de Teatro desenvolve o projeto de oficinas teatrais gratuitas de longa duração, que têm como objetivo promover um intercâmbio entre artistas de diversas formações, estudantes de artes e outros interessados em vivenciar uma experiência artística.

O ator Marco Antonio Oliveira, do Grupo XIX de Teatro - Fracasso Festival -

Foto: Divulgação - Responder Fazendo 2021


Ficha técnica:

Idealização: Ronaldo Serruya. Orientação Cênica: Ronaldo Serruya e Fabiano Dadado de Freitas. Atuação: Camilla Flores, Carol Narchi, Dai Ida, Drica Czech, Ego Sum Frank, Heleno Rohn, Irail Rezende, Karla Ribeiro, Larissa Alves, Marco Antonio Oliveira, Natália Martins (Tita), Ricardo Withers, Rodrigo Eloi, Rudá, Sydney Salvatori e Vicente Concilio. Provocadores: Denilson Lopes e Jaqueline Gomes de Jesus. Direção Técnica e Transmissão On-line Webinário: Juracy de Oliveira (Pandêmica Coletivo Temporário de Criação). Designer Gráfico: Jonatas Marques. Assessoria de Imprensa: Adriana Balsanelli. Produção: Ronaldo Serruya e Grupo XIX de Teatro (Cristiane Zonzini e Andreia Marques).

Serviço:

Grupo XIX de Teatro e Núcleo de pesquisa Arte Queer do Fracasso apresenta: Fracasso Festival - Cenas Para Celebrar a Recusa.

Orientação: Ronaldo Serruya e Fabiano Dadado de Freitas.

De 13 à 16 de maio - Quinta à sábado às 21h. Domingo às 19h.

Duração: 50 minutos.

Classificação etária: 16 anos.

Ingressos: Grátis. Reservas na Sympla

Transmissão: Plataforma Zoom.

Sobre os Núcleos de Pesquisa

Os núcleos são coletivos formados a partir de seleções – que já chegaram a atingir o número de 600 inscritos –, que ao longo do ano e sob a orientação dos artistas do Grupo XIX de Teatro, desenvolvem pesquisas nas áreas de atuação, direção, dramaturgia, corpo e direção de arte. É nesse projeto que os artistas da companhia conduzem pesquisas sobre temas que lhes interessam individualmente, e que, mais tarde, acabam influenciando o trabalho da trupe como um todo.

Sobre o Grupo XIX De Teatro

Formado em 2001, o Grupo XIX de Teatro desenvolve pesquisa autoral que deu origem aos espetáculos Hysteria, Hygiene, Arrufos, Marcha Para Zenturo (em parceria com o Grupo Espanca), Nada Aconteceu, Tudo Acontece e Tudo Está Acontecendo, Estrada do Sul (em parceria com o Teatro Dell’Argine) e Teorema 21.

Em 2017, o grupo contou com o apoio da Lei de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo para o projeto A Estufa e Cidade, resultando na montagem do espetáculo-performance itinerante Intervenção Dalloway: Rio dos Malefícios do Diabo. Em 2018 estreou o primeiro espetáculo infantil, Hoje O Escuro Vai Atrasar Para Que Possamos Conversar, que teve seu processo criativo inspirado pelo romance De Repente, Nas Profundezas do Bosque, do escritor israelense Amós Oz.

A exploração de espaços não-convencionais, a criação colaborativa e a relação direta com o público nas encenações são elementos constitutivos dessa trajetória. Todos os espetáculos seguem em repertório até hoje tendo sido apresentados em quase uma centena de cidades pelo Brasil e cinco países do mundo com as encenações realizadas em inglês, italiano e francês.

Ao longo de sua trajetória acumula entre prêmios e indicações mais de 15 menções nos principais prêmios do país: Shell, APCA, Cooperativa Paulista de Teatro, Bravo!, Qualidade Brasil entre outros. Em 2017, foi indicado ao Prêmio Shell na categoria Inovação pela manutenção da sede na Vila Maria Zélia, na Zona Leste, e parceria com artistas de áreas diversas.