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  • Luiz Vieira

Fóssil realiza três apresentações no Teatro Aliança Francesa para o Festival Palco Presente

Idealizado por Natalia Gonsales, espetáculo aborda o tema da guerra curda na revolução da libertação da mulher e a democracia direta no Oriente Médio. Em cena, Rita Pisano ao lado de Nelson Baskerville

Foto: Ronaldo Gutierrez.


Após o sucesso de “Carmem” e “A última dança”, Natalia Gonsales, em constante pesquisa sobre personalidades e fatos que desafiam a ordem imposta, idealiza “Fóssil” de Marina Corazza. Criado a partir da pesquisa de três anos da atriz e da dramaturga a respeito do povo curdo e da revolução de Rojava, na Síria, a peça tem direção de Sandra Corveloni estreou no Sesc Pompeia tendo forte aprovação de público e imprensa, tendo todos os ingressos esgotados e iniciou temporada no Teatro Aliança Francesa, interrompida pela pandemia gerada pelo vírus covid-19. 


O espetáculo volta em cartaz para três apresentações no Teatro Aliança Francesa pelo Festival Palco Presente nos dias 29 a 31 de agosto. A equipe estará no teatro sem público e a peça será transmitida ao vivo pelo Zoom.

A peça se passa dentro da sala de Luiz Henrique (Nelson Baskerville), diretor da maior empresa de gás liquefeito de petróleo. Anna (Rita Pisano), uma jovem cineasta, vai ao seu encontro em busca de recursos para a realização de um filme sobre a Revolução de Rojava, no norte da Síria.


A cineasta narra o roteiro de seu filme e a importância político-social deste, cruzando histórias de mulheres curdas torturadas da Síria com memórias de mulheres na ditadura brasileira de 64. “Ao olhar para nós à luz dessa revolução, vemos as mulheres que nos geraram, e antes delas, as que geraram nossas mães, e antes delas, as outras, e as outras, e as outras e todas nós. Ao olhar para nós à luz da Revolução de Rojava, sabemos que queremos e que podemos acreditar em utopias por meio de um trabalho diário que deixe nascer outras formas mais justas e libertárias de se pensar e viver” complementa a dramaturga Marina Corazza.  


A tensão entre os dois personagens vai crescendo durante o espetáculo. Luiz, que viu Anna crescer, tem um olhar paternal para com ela e conforme a cineasta conta sobre o seu projeto e a importância da luta curda, relações dúbias de opressão e falta de escuta são estabelecidas. Em um plano que atravessa o presente, a jovem cineasta fala de sua mãe, presa política na ditadura de 64. O papel contraditório de financiamento das artes por grandes empresas também perpassa toda a peça. Abre-se com isso mais uma camada crítica na peça a respeito da política cultural e as contradições que incluem valores éticos e morais para a realização de um produto altamente desvalorizado no mercado atual. 


Encenar a luta curda pela democracia revela contradições do sistema democrático ocidental que se apresenta na forma atual do patriarcado, sustentado pelo Estado e pela hierarquia. A forma de Estado-Nação aliado ao Capitalismo é um modelo baseado nas dominações de classe, gênero, etnia e religião associado à competitividade econômica, impossibilitando assim, que a nação alcance os objetivos de liberdade, igualdade e justiça social” explica a idealizadora Natalia.


A encenação de Sandra Corveloni propõe um encontro entre teatro e audiovisual tendo projeções sensitivas e trilha sonora original, criando um clima de sala de cinema, para falar da Revolução de Rojava ou Confederalismo Democrático do Norte da Síria. "Fóssil possui uma dramaturgia bastante profunda, com camadas de informações e sentimentos que aparecem à medida em que o texto avança. A montagem que é ao mesmo tempo teatral e cinematográfica, nos leva a refletir sobre questões como os direitos das mulheres, a democracia, as fronteiras e a arte", comenta a diretora.


Natalia Gonsales finaliza:hoje é comum ouvir a população curda de Rojava e de outras regiões do Curdistão defender a vida sem um Estado. Os curdos lutam pela autonomia de seu povo e de outras etnias sem representatividade. Buscam a conscientização democrática, o direito à educação na língua nativa, o acesso ao sistema público de saúde, a proteção do meio ambiente e a liberdade de expressão. Uma política que se tornou referência libertária no mundo.”


SINOPSE


Uma cineasta busca, em uma grande distribuidora de gás, recursos para realização de seu filme sobre a Revolução de Rojava, onde nasce um processo radical de democracia participativa com forte atuação das mulheres curdas. Durante a apresentação do projeto, ela é atravessada pelo passado recente da nossa história e se defronta com as contradições de ter sua obra patrocinada.


FICHA TÉCNICA

Idealização: Natalia Gonsales

Dramaturgia: Marina Corazza

Direção: Sandra Corveloni

Com: Rita Pisano e Nelson Baskerville

Música Original: Marcelo Pellegrini

Desenho de Luz: Aline Santini

Figurino: Leopoldo Pacheco

Cenário: Carol Bucek

Videografismo e Videomapping: André Grynwask e Pri Argoud (Um Cafofo)

Voz canção curda: Rojda

Produção musical: Surdina

Mãe de Anna: Clara Cury

Assistência de Direção: Felipe Samorano

Assistência e Operação de Luz: Pajeú Oliveira 

Operação de som: Pedro Ricco

Projecionista: André Grynwask

Assessoria de Mídias Sociais: Barbara Berta

Fotos de Divulgação: Ronaldo Gutierrez e Haroldo Miklos

Fotos do Espetáculo: Ronaldo Gutierrez e Matheus José Maria

Registros fotográficos do Curdistão:  Alexandre Auler, Fabio Braga e Virginia Benedetto

Imagens aéreas (drone) de Kobani: Gabriel Chaim

Aulas sobre os conflitos do Oriente Médio: Reginaldo Nasser

Realização: Bem Casado Produções Artísticas

Direção de Produção: Leticia Gonzalez e Contorno Produções

Produção Executiva: Leticia Gonzalez

Assistente de projetos e comunicação: Bianca Bertolotto


AGRADECIMENTO ESPECIAL: Gabriel Chaim


AGRADECIMENTOS: Alexandra DaMatta, André Luis de Oliveira Santos, Anelise Csapo, Angela Fernandes, Angélica Inês Corazza, Angélica Freitas, Atílio Bari, Bia Toledo, Bruno Guida, Cia dxs Terroristas, Décio Previato, Diego Dac, Emerson Mostacco, Flávio Tolezani,  Gabriel Chaim, Haroldo Miklos, Lívia Carmona, Luiz Farina, Malú Bazán, Marcelo Dantas, Marco Antonio Gonsales, Marcos Litran, Marco Antonio G. R. de Oliveira, Maria Fernanda Vomero, Marina Tranjan,  Melike Yasar, Murilo Gaulês, Natália Corazza Padovani,  Patrícia Campos Melo, Pedro Granato, Reginaldo Nasser, Renato Caldas, Riba Carlovich, Silvana Janeiro e Virginia Cavendish.



SERVIÇO:


Fóssil


De 29 a 31 de agosto

Sábado às 21h00,  Domingo às 16h00 e segunda às 19h00.

Duração: 70 minutos

Classificação: 14 anos

Ingressos: a partir de R$ 20,00.

No sábado os ingressos são gratuitos.

Venda ingressos e acesso à transmissão: sympla.com.br/teatroaliancafrancesa

Especificação técnica: baixar o aplicativo Zoom, preferencialmente no PC ou notebook. Também é possível assistir por tablet, celular ou emparelhamento com Smart TV.


Esse evento faz parte do projeto Festival Palco Presente 2020