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Estelar de Teatro estreia segunda parte de Matriarcado-América

A Máquina dos Sonhos, que mescla cenas pré-gravadas e ao vivo, dá continuidade ao espetáculo digital inspirado pelas obras de importantes autoras latino-americanas, como a boliviana Maria Galindo, a chilena Lina Meruane, a nicaraguense Gioconda Belli e a mexicana Elena Poniatowska.

Matriarcado-América - Foto: Divulgação - responderfazendo.com


Gravada entre São Paulo e Paris, a peça digital MATRIARCADO-AMÉRICA estreia sua segunda parte A Máquina dos Sonhos dia 9 de setembro, quinta-feira, às 19h30, no Canal de Youtube da Estelar de Teatro. Com cenas filmadas nos túmulos de Alan Kardec, Edith Piaff e Oscar Wilde localizados no famoso cemitério Pére Lacheise, o espetáculo é o desdobramento da investigação de mais de 15 anos da Estelar de Teatro, que busca uma voz feminina não só nos temas, mas também em um continente em ebulição e sedento de novas imagens. Apesar de ser uma continuação, a peça digital pode ser acompanhada de forma independente, sem a necessidade de ter assistido a primeira parte.

Com dramaturgia de Viviane Dias, que divide a direção com Ismar Rachmann e edição de Vic Von Poser e Taurina Filmes, MATRIARCADO-AMÉRICA traz à cena questões éticas e estéticas fundamentais do Brasil da pandemia e foi dividida em duas partes: A Sociedade das Eróticas em Menopausa (já apresentada em ambiente virtual) e A Máquina dos Sonhos (de 9 a 19 de setembro, de quinta-feira a domingo, às 19h30).

MATRIARCADO-AMÉRICA apresenta uma Organização de Mulheres Eróticas em Menopausa, que com a ajuda de uma Máquina de Sonhos e um espírito de mulher chamado “Jesusa”, reencarnado mais de 30 vezes na América Latina e sempre morto por feminicídio, escreve uma nova Bíblia Antropofágica instaurando novas realidades poéticas, éticas e mágicas no continente. O texto inédito, inspirado pela “devoração” de importantes autoras latino-americanas, ainda pouco conhecidas no Brasil como a boliviana Maria Galindo, a chilena Lina Meruane, a nicaraguense Gioconda Belli, a mexicana Elena Poniatowska, também bebe na fonte dos pensadores David Kopenawa, Sidarta Ribeiro e Aílton Krenak.

Cena antropofágica

Realizada com o apoio do Programa Municipal de Fomento ao Teatro da Cidade de São Paulo, MATRIARCADO-AMÉRICA à semelhança das minisséries, se desenvolve em dois episódios. A pandemia, os desafios das mulheres contemporâneas num mundo patriarcal e especialmente a menopausa, como época de vida e de potência, são temas do primeiro episódio A Sociedade das Eróticas em Menopausa.

Já no segundo episódio A Máquina dos Sonhos, a linguagem muda, em diálogo com os sonhos, que vão sendo instaurados, e as bordas entre ficção e realidade são mais sutis. Na busca de uma cena antropofágica, com muita presença da música original, há uma aliança entre as mulheres mortas e as vivas para que possam encarnar numa América Latina mais potente.

Para a autora, diretora e atriz Viviane Dias, MATRIARCADO-AMÉRICA busca dialogar com a intensa movimentação política, social e cultural na América Latina ainda pouco observada no Brasil apresentando um conjunto de questões éticas e estéticas. “A peça valoriza mulheres em vários campos do saber na busca de uma cena antropofágica, porosa e inventiva em intersecção com as artes e com forte presença do sonho, do rito e do devaneio”, explica ela.

Voz das mulheres

Para a Estelar de Teatro, a estreia de MATRIARCADO-AMÉRICA dá continuidade e verticaliza uma ampla investigação de descolonização. Entendendo o imaginário como campo de disputa importantíssimo, o grupo evoca vozes femininas de toda América Latina num projeto de desmonte criativo de uma das maiores feridas históricas do continente: o patriarcado, um sistema complexo de opressões que machuca mulheres e também homens.

“Sim, já entendemos que quando a voz das mulheres entra no mundo, todos os mapas se alteram, e que a voz das mulheres é um rio caudaloso que abre espaço para outras vozes silenciadas. Agora apostamos na subversão criativa de autoras espelhadas pelo continente na crença que a arte, uma das mais potentes tecnologias humanas, é capaz de fazer frente às crises complexas como a que enfrentamos. Seremos inspiradas por autoras pouco conhecidas no Brasil, mas que vem atuando como vírus de sistemas, mapeando e minando modalidades perversas de dominação, através do questionamento das imagens da cultura e propondo, com grande inventividade, subjetividades alternativas àquelas que nos fazem naturalizar e nos preparam para aceitar como normais realidades que excluem e matam”, explica Viviane Dias.

Sobre a Estelar de Teatro

Companhia que existe desde 2006, com trabalhos cênicos em salas e ruas realizados em São Paulo e apresentados em diferentes cidades e países, em importantes festivais, teatros e centros de pesquisas internacionais na Alemanha, Itália, México e Chile. No repertório estão os espetáculos Alice (2007), Mestres do Jogo (2010), Caim (2012/13), Frida Kahlo – Calor e Frio (2014/18) e Matriarcado de Pindorama (2018/20) e as intervenções urbanas Histórias Invisíveis nas Ruas e Frida Kahlo – Calor e Frio em Intervenção Humana, parceria com o Teatro da USP e o Museu da Diversidade. Em sua trajetória, a companhia realizou ainda uma série de residências artísticas internacionais em teatros como o Teatro Potlach, na Itália (braço do Odin), e o próprio Odin Teatret (2008), na Dinamarca. Decisiva ainda na trajetória do grupo é a influência do trabalho com o diretor e pedagogo russo Jurij Alschitz, desde 2011. Assim, a companhia vem digerindo os frutos destes contatos com importantes encenadores e grupos contemporâneos que marcam sua pesquisa, em trabalhos com forte cunho brasileiro, especialmente pela presença da música, da dança, das artes performativas e da festa. A companhia tem uma sede no Bexiga, o Teatro Estelar, na Rua 13 de Maio, 120.


Site – estelardeteatro.com.br

Instagram e Facebook – @estelardeteatro

Para roteiro:

MATRIARCADO-AMÉRICA

A MÁQUINA DOS SONHOS

De 9 a 19 de setembro, de quinta-feira a domingo, às 19h30, no Canal de Youtube da Estelar de Teatro. Gratuito. Duração – 60 minutos. Recomendado para maiores de 14 anos.

Com Estelar de Teatro. Texto – Viviane Dias. Direção – Ismar Rachmann e Viviane Dias. Edição – Vic Von Poser e Taurina Filmes. Elenco – Anderson Negreiro, Viviane Dias, Clarissa Debretchinsky, Gabriel Moreira, Natália Lorda, Lucia Soledad Spívak e Rico Marcondes. Participação Especial – Beth Belli e Olga Lucia. Trilha Sonora (composições originais e performances musicais) – Gabriel Moreira, Rico Marcondes e Lucia Soledad Spívak. Projeto Gráfico – Mau Machado. Assessoria de Imprensa – Nossa Senhora da Pauta.

Sinopse – Uma Sociedade de Mulheres Eróticas em Menopausa, que com a ajuda de um espírito chamado “Jesusa”, rouba uma máquina de sonhos e começa a interferir na realidade da América Latina.