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  • Luiz Vieira

Espetáculo Ninho terá temporada on-line gratuita no Teatro Aliança Francesa em março

Atualizado: Mar 1

Texto do autor catalão Marc Garcia Coté, montado pela primeira vez no Brasil, tem direção de Bruno Guida. Nos destroços de um acidente aéreo uma menina rompe um silêncio de anos para rever traumas de infância e confrontar seus medos. O espetáculo terá temporada on-line no YouTube com ingressos gratuitos.

Foto: Ligia Jardim.


O espetáculo Ninho, primeiro texto do autor catalão Marc Garcia Coté, ganhou encenação pelas mãos do diretor Bruno Guida em 2020, tendo no elenco Janaina Suaudeau, responsável também pela tradução. Agora, volta em cartaz na programação on-line do Teatro Aliança Francesa, em curta temporada de 3 a 18 de março. As sessões, às quartas e quintas às 21h, serão transmitidas pelo YouTube da Contorno Produções. Os ingressos são gratuitos.


A montagem foi destaque no site Observatório do Teatro nas categorias Luz, Cenário, Figurino, Direção Musical e Trilha Sonora e Atuação.


A peça começa com o relato de um acidente aéreo, o ritmo do texto se mostra vertiginoso como o fluxo de pensamentos da personagem. “Essa queda provoca o monólogo interior da personagem: um ninho de vozes que se encontram numa verdadeira fuga da consciência e nos permite viajar até a ilha onde passou a infância cercada de pássaros”, explica o autor.


A narrativa frenética chamou a atenção de Bruno Guida. “O texto sugere um delírio onde um acidente aéreo é sobreposto à uma discussão de um casal em um bar e a um ataque de pássaro na infância. Em cena temos o fluxo de pensamento dessa figura que passou por um trauma e agora vomita palavras diretamente para a plateia, sempre com muito humor”, explica.


Para Janaína Suaudeau é a história de uma menina que rompe o silêncio e investiga seu trauma de infância. “Nessa peça, a personagem não tem um arco dramático, visto que a dramaturgia do Marc é fragmentada. É como se o trauma dela fosse dissecado na frente do público e que enxergássemos sinapses do cérebro dela ao vivo. É tudo muito rápido e intenso”.


Para a peça, Bruno Guida continua uma pesquisa que começou com The Pillowman - O Homem Travesseiro, de Martin McDonagh e In Extremis, de Neil Bartlett, que transita entre a comédia, o suspense, o terror e a fábula. Com estética grotesca, ao apresentar tipos com deformações físicas, em Ninho investe em uma linguagem que flerta com a bufonaria.

Foto: Ligia Jardim.


“Usamos a técnica para construir uma persona que libera o ator de criar uma personagem e o possibilita a entrar em contato direto com o público. Essa figura faz também uma conexão com algo do plano do mistério, alguma coisa que não pertence ao plano da realidade. Alguém que traz mensagens importantes, ocultas, e que para serem apreendidas necessitam de um certo envolvimento que ultrapassa a mera compreensão intelectual. Divertir e entreter o público é a tática que o bufão utiliza para conseguir disseminar suas ideias e críticas de maneira impactante, pois o soco vem em seguida de uma gargalhada que por sua vez é rapidamente substituída por um momento de lirismo”, explica Janaína.


A montagem propõe uma experiência teatral que provoca o espectador a investigar os conceitos de beleza e feiura, de mudez e de fala e de memória e realidade da personagem. O cenário é um local não definido, uma espécie de limbo ou purgatório pontuado por alguns objetos que remetem ao acidente narrado no início do texto e objetos da infância da personalidade encarnada pela atriz, como os pássaros.


O figurino, traz deformidade ao corpo da atriz, elevando sua figura do plano da realidade e permitindo que ela entra e saia de diversos personagens sem nunca perder a conexão direta com o público. É um espetáculo onde a quarta parede é explodida e a interlocução com a plateia se dá o tempo inteiro. “E quase um embate direto”, diz Bruno.


O texto, primeiro do autor catalão, foi selecionado pelo Comitê de Leitura do Teatro Nacional da Catalunha e apresentado na Sala Tallers do mesmo teatro, em 2015. “Quando eu escrevi a voz dessa personagem, o que mais me surpreendeu foi a forma como ela se apresentou: por espasmos. Eu, então, me propus a puxar o fio tenso do silêncio que a página em branco me oferecia de forma abundante. Eu queria refletir sobre a mudez; especialmente essa passagem entre o fim da mudez e o começo da voz falada”, conclui Coté.


Sobre Janaína Suaudeau

Atriz e diretora franco-brasileira formada no Célia Helena e no Conservatório Nacional Superior de Arte Dramática de Paris. Atua em várias montagens, entre as mais importantes La Ville de Crimp direção Marc Paquien; Strindbergman direção Marie Dupleix; La Tempête de Shakespeare direção Georges Lavaudant; Claire en Affaires de Crimp direção Sylvain Maurice. No cinema, tem o papel principal do longa metragem Serveuses Demandées de Guylaine Dionne e atua em vários curta-metragens.


Foi coordenadora geral de produção, além de atriz, do espetáculo Strindbergman. O espetáculo veio ao Brasil em 2009, pelo Ano da França no Brasil. Em 2012, Strindbergman fez parte da Mostra Strinberg produzida pelo SESC SP. Em 2014, estreou a peça Não se brinca com o amor, direção Anne Kessler. Em 2015, foi preparadora de elenco do longa metragem Além do homem, direção Willy Biondani; e estreou o espetáculo Um poema cênico para Ferreira Gullar, direção Ana Nero. Foi assistente de direção de Bruno Perillo no espetáculo Ato a Quatro de Jane Bodie. Em 2016, estreou a peça No Coração das Máquinas, direção Rita Carelli. Estreou sua primeira direção Término do amor de Pascal Rambert. Em 2017, foi assistente de direção de Nelson Baskerville em Carmen. Em 2019, estreou Cais Oeste de Koltès, direção de Cyril Desclés e sua segunda direção Big Shoot de Koffi Kwahulé no Sesc Belenzinho.


Sobre Bruno Guida

Ator, tradutor e diretor membro do Lincoln Center Director's Lab e do coletivo internacional P.L.U.T.O. (www.plutodirectors.com). Seus últimos trabalhos como diretor foram Black Box com o coletivo internacional PLUTO que estrou no Festival Internacional de Buenos Aires em janeiro; Lady M de Milton Morales, Match (Phoenix) de Scott Organ, The Pillowman-O Homem Travesseiro, de Martin McDonagh, In Extremis de Neil Bartlett, e Avental Todo Sujo de Ovo, de Marcos Barbosa.


Formado pelo Teatro Escola Célia Helena, e pela École Philippe Gaulier em Paris. Também estudou na Escola Russa de Arte Teatral de Moscou (GITIS) e na Central Saint Martin em Londres. Como ator já participou de mais de 20 montagens teatrais, dentre elas: Bull, de Mike Bartlett, In Extremis, de Neil Bartlett, The Pillowman, de Martin McDonagh, Pororoca, dirigida por Sérgio Ferrara, Amigos Ausentes, dirigida por Nilton Bicudo, Notas da Superfície, dirigida por Marcia Abujamra, Quem Nunca, dirigida por Renata Melo, Ensaio Sobre a Cegueira, dirigida por Marco Antonio Rodrigues, Single Singer’s Bar, dirigida por Dagoberto Feliz, Mão na Luva, dirigida por Hugo Villavicenzio, Nada Mais Foi Dito nem Perguntado, com a Cia. Folias, Terror e Miséria no Terceiro Reich, dirigida por Marco Antonio Rodrigues, Revolução dos Bichos, dirigida por Luis Valcazarras.


Sobre Marc Garcia Coté

Estudou no Instituto do Teatro de Barcelona e no Conservatório Nacional de Arte Dramática em Paris, onde ele teve como professores, Nada Strancar, Cécile Garcia-Fogel, Caroline Marcadé e Claude Stratz. Participou do Laboratório de Pesquisa Teatral em Estrasburgo com professores do GITIS de Moscou e Owen Horsley de Cheek par Jowl.


No cinema, atuou nos longas El Sexo de los Ángeles de Xavier Villaverde, Barcelona Nit d’Estiu de Dani de la Orden e Tous les Chemins de Dieu de Gemma Ferraté. No teatro, atuou entre outros para Santis Sinisterra à La Abadía, com Gerardo Vera no Centro Dramático Nacional, Oriol Broggi, Magda Puyo, Yvette Vigatà, Ester Nadal, Pep Tosar, Jordi Prat i Coll, Charles Mallol, Marta Gil e Carles Fernández Giua.


O Ninho é o primeiro texto de Marc Garcia Coté. No momento, está escrevendo duas outras peças em francês Souche e Girelle, que fecham com o Ninho a trilogia Les Animaux Mélancoliques.


Ficha técnica:

Texto: Marc Garcia Coté. Tradução: Janaína Suaudeau. Colaboração tradução: Bruno Guida. Direção: Bruno Guida. Atuação: Janaína Suaudeau. Música Original: Marcelo Pellegrini. Cenário e Adereços: Marcela Donato. Desenho de Luz: Anna Turra. Figurino e visagismo: Daniel Infantini. Maquiagem: Louise Hélène. Assistente de Direção: Victor Abrahão. Produção Musical: Surdina. Canções Adicionais: Blue Moon (R. Rodgers/L. Hart) – The Mavericks e Don’t Give Up On Me (D. Penn, C. Whitsett, H. Lindsey) – Solomon Burke. Vídeo e Transmissão ao vivo: Miguel Salvatore. Adaptação e Operação de Luz: Marcel Rodrigues. Comunicação e Mídias Sociais: Jessica Rodrigues e Barbara Berta. Assessoria de Imprensa: Adriana Balsanelli. Design gráfico: Lucas Sancho. Fotos: Lígia Jardim. Fotos material gráfico: Cleber Corrêa. Teaser: Diogo de Nasaré. Produção: Contorno Produções e Pitaco Produções. Direção de Produção: Jessica Rodrigues e Victória Martinez.


Este projeto foi contemplado pelo EDITAL PROAC EXPRESSO LEI ALDIR BLANC Nº 36/2020 PRODUÇÃO E TEMPORADA DE ESPETÁCULO DE TEATRO COM APRESENTAÇÃO ON-LINE.


Serviço:

NINHO NO TEATRO ALIANÇA FRANCESA ON-LINE

De 3 a 18 de março – Quartas e quintas às 21h.

Ingressos: Grátis.

Transmissão: Contorno Produções

Duração: 40 minutos

Classificação etária: 16 anos

Ingresso: Grátis.