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  • Luiz Vieira

Espetáculo Dora tem apresentações online e acessíveis durante a semana de 12 a 15 de maio

De posse de um material histórico inédito, confiado pelos familiares, a atriz Sara Antunes traça um percurso de registro de memória e afirmação das trajetórias femininas na política

Atriz Sara Antunes - Espetáculo Dora - Foto: Alessandra Nohvais -

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Sara Antunes segue apresentando o espetáculo Dora, sobre a trajetória da guerrilheira Maria Auxiliadora Lara Barcelos, em formato digital. Dia 12 de maio, quarta-feira, às 19h, tem transmissão ao vivo pelo Sesc Ao Vivo, seguida de debate.

No dia 14 de maio, sexta-feira, Sara apresenta 4 sessões às 16h, 18h, 20h e 21h, com libras, legendas e audiodescrição, pelo prêmio Zé Renato. Os ingressos são gratuitos e podem ser reservados em Sympla.com.br. No mesmo dia, às 20h, também haverá um debate sobre a o processo de produção do espetáculo. E no dia 15 de maio, sábado, às 20h, Dora participa da Mostra de Teatro e Direitos Humanos de João Pessoa, com transmissão pelo canal do YouTube da Amora Produção.

Maria Auxiliadora Lara Barcelos, a Dora, tinha 23 anos quando entrou na luta armada contra a ditadura militar. Foi presa, torturada, exilada e suicidou-se na Alemanha em 1976, aos 31 anos. Com texto e direção de Sara, a peça é estruturada como um caleidoscópio fragmentado mesclando trechos de cartas, imagens de arquivos e relatos autobiográficos da atriz.

Angela Bicalho, mãe de Sara, faz uma participação especial traçando um paralelo da vida de Dora com a trajetória familiar de Sara. Dora, mineira como os pais de Sara, nasceu no mesmo ano que a mãe de Sara e se envolveu na resistência à ditadura tendo sido presa e exilada, assim também aconteceu com o pai da Sara, Inácio Bueno.

De posse de um material histórico inédito, confiado pelos familiares a atriz, Sara traça um percurso de registro de memória e afirmação das trajetórias femininas na política. “Neste projeto, não pretendo mitificar heróis, também não se trata de uma homenagem, mas acho importante se debruçar sobre a história do país do ponto de vista de quem participou dela. Principalmente, as mulheres”, afirma.

Atriz Sara Antunes - Espetáculo Dora - Foto: Alessandra Nohvais -

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Utilizando poucos elementos cênicos, a direção de arte se apoia na escrita a partir das cartas enviadas da prisão e do exílio trocadas entre Dora e sua mãe, Clélia Lara Barcelos. Sara tece uma metáfora através de fios vermelhos que viram vestidos e que viram cartas utilizando plataformas de escrita como retroprojetor, paredes, projeções. Vestidos vermelhos, baldes e água são elementos que partiram de indicações nas cartas. A peça cobre o período de 1965 a 1976, a trilha sonora inclui Tropicália, Violeta Parra e Torquato Neto, canções que marcaram a época e que Dora ouvia e até recomendava.

“Ao reconstruirmos a subjetividade de períodos traumáticos que deixaram marcas profundas na história deste país, confrontamos a política da amnésia com que se pretende, reiteradamente, apagar um passado incômodo para criar campos de ignorância histórica que, novamente, convocam abertamente forças repressoras. Dora é um projeto importante de reparação histórica, de pretensão multidisciplinar em que as lutas femininas do Brasil estão em foco”, explica Sara.

A trajetória de Dora

Nascida em 25 de março, na cidade de Antônio Dias (MG), Maria Auxiliadora Lara Barcelos (1945-1976) é uma personagem riquíssima e pouco conhecida. Estudante de medicina, Integrante da VAR (Vanguarda Armada Revolucionária) tinha 23 anos quando foi presa, libertada no grupo dos 70 em troca do embaixador suíço Giovani Enrico Bucher e banida do país. Ela viveu no Chile, Bélgica, França e, em 1974, fixou-se na Alemanha, onde suicidou-se em Berlim, em 1976, aos 31 anos, jogando-se na frente de um trem.

Em seus dias na prisão, Dora foi exposta a diferentes tipos de violações, sobretudo de cunho desmoralizante frente sua condição de mulher: entre ser colocada em exposição como objeto para visitação de militares curiosos, até degradação moral frente aos companheiros. Dora denunciou as violências sofridas na ocasião de seu julgamento na Justiça Militar.

No exílio escreveu: “Sou boi marcado, fui aprendiz de feiticeira... Eu era criança e idealista. Hoje sou adulta e materialista, mas continuo sonhando. Dentro da minha represa, não tem lei neste mundo que vai impedir o boi de voar."

Ficha técnica:

Direção, texto e atuação: Sara Antunes. Concepção audiovisual: Henrique Landulfo e Sara Antunes. Direção de fotografia e assistência de direção: Henrique Landulfo. Produção: Jessica Leite. Direção de arte e figurino: Sara Antunes. Luz :Wagner Antônio. Desenho sonoro: Edson Secco. Participação: Angela Bicalho. Transmissão: Marcel Alani. Assessoria de imprensa: Adriana Balsanelli.

Serviço:

DORA

Duração: 40 minutos.

Classificação etária: 16 anos.

Dia 12 de maio, quarta-feira, às 19h, pelo Sesc Ao Vivo

Seguida de debate com Henrique Landulfo e Sara Antunes

Transmissão: Instagram.com/sescaovivo

Youtube.com/sescsp

Ingressos: Grátis.

Dia 14 de maio, sexta-feira, às 16h, 18h, 20h e 21h - Prêmio Zé Renato

Sessões acessíveis com libras, legendas e audiodescrição

Debate com Henrique Landulfo e Sara Antunes às 19h.

Ingressos: Grátis – Reservas pelo Sympla.com.br

Dia 15 de maio, sábado, às 20h, Mostra de Teatro e Direitos Humanos de João Pessoa

Seguida de debate com Henrique Landulfo e Sara Antunes

Transmissão: Canal do YouTube da Amora Produção