Buscar
  • Responder Fazendo

Elevador, espetáculo da Cia Fluctissonante em Libras e Português estreia on-line dia 3 de dezembro

Em sua trajetória, o grupo investiga as possibilidades estéticas do bilinguismo, inserido a Libras dentro do palco e não fora dele, através do recurso de tradução simultânea.

ELEVADOR - Foto: Elenize Dezgeniski - responderfazendo.com


A Cia. Fluctissonante é um coletivo teatral curitibano formado por artistas surdos e ouvintes que pesquisam a criação cênica bilíngue, em Libras e Português. Em sua trajetória, o grupo investiga as possibilidades estéticas do bilinguismo, inserido a Libras dentro do palco e não fora dele, através do recurso de tradução simultânea, como comumente é realizada a acessibilidade para surdos no campo das artes cênicas. Assim, além de integrar surdos e ouvintes em sua equipe, os espetáculos da companhia também promovem essa integração nas plateias. Nos espetáculos do grupo, a interpretação dos atores ocorre nas duas línguas.


Em comemoração aos 5 anos de atividades, a Fluctissonante estreia o espetáculo ELEVADOR, uma criação compartilhada do grupo junto à diretora Georgette Fadel, especialmente convidada para o projeto. No espetáculo, que estreia de maneira online dia 3 de dezembro pelo canal do YouTube da Cia, pela primeira vez a Flucti - como é carinhosamente chamada por seus integrantes - aborda a ideia de acessibilidade como pauta principal do projeto. Em cena estão os atores ouvintes Nautilio Portela - veterano do teatro do sul do país - e Helena de Jorge Portela, e a atriz surda Catharine Moreira. Além deles, Igor Augustho, artista do grupo desde a sua fundação, assina a co-direção do trabalho, que é produzido pela Pomeiro Gestão Cultural.


A opção por abordar a ideia de acesso também como tema, deu-se a partir de uma série de encontros em que o grupo refletiu e repensou os caminhos trilhados até agora, em confluência com visões particulares de seus integrantes. Estas discussões foram ainda alimentadas por uma série de ações online realizadas pelo coletivo, como um dos 17 integrantes dos projetos Palco Giratório e Plataforma Cena, ambos do Sesc Nacional, no ano de 2021.

ELEVADOR - Foto: Elenize Dezgeniski - responderfazendo.com

Sinopse

Um grupo de artistas brasileiros reúne-se para encenar um texto já apresentado centenas de vezes na história do teatro. Em sua estreia, os três - um ator idoso, uma atriz surda e uma diretora ouvinte - são surpreendidos pela presença de um espectador cadeirante no térreo do teatro: o elevador de acesso ao auditório está quebrado. Esta ocasião, então, dá sequência a alguns fragmentos de seus processos criativos, do espetáculo que estreariam na mesma noite e dos olhares plurais que lançam em relação aos dias em que vivem.


Quem acessa os nossos trabalhos?

Quando surgiu, a Fluctissonante era um grupo de artistas ouvintes que se perguntava: ‘quem acessa nossos trabalhos?’. 'Elevador' é uma montagem que reflete a ideia de acesso em seus mais diversos sentidos, contextualizando-a principalmente na relação entre o teatro e seus públicos atualmente. Entendendo o conceito de acessibilidade de modo não exclusivo às pessoas com deficiência, a ideia de acesso, nesse caso, amplia-se também para os debates ligados à relação entre o teatro e seus públicos.


“Não há respostas. Ao contrário, perguntamos. Perguntamos muito, perguntamos o tempo todo. Quem nos acessa? Quem acessamos? A quem fala o teatro contemporâneo? Por quem fala o teatro contemporâneo? De quem falamos quando nos referimos ao público, assim, no singular, essa massa heterogênea, amorfa, sem particularidades e diversidades? Quais elevadores ainda padecem de conserto? Não há resposta. Somos um grupo que, na verdade, prefere errar tentando a sentir que fez tarde demais, justamente pelo desejo de fazer certo”, contam Helena de Jorge Portela e Igor Augustho, dramaturgistas do espetáculo, que avançam:


Elevador é, também, sobre o risco, sobre o desconhecido, sobre um território que ainda não nos é confortável. Pela primeira vez em nossa trajetória, a ideia de acessibilidade e inclusão está pautada na construção dramatúrgica também como tema e não apenas como possibilidade estética, característica que marca os trabalhos da companhia. Chegamos aqui entendendo que isto tudo não é sobre ser didático. É sobre ser ultra-didático”.


Além da criação em Libras e Português, neste trabalho, o grupo experimenta pela primeira vez a ideia de dramaturgia descritiva, em que a própria dramaturgia realiza a audiodescrição de alguns movimentos, elementos e cenas do espetáculo. Aos domingos, sempre às 18h30, haverá sessões com audiodescrição. O trabalho foi criado de modo híbrido, através de encontros virtuais pelo Zoom e outros presenciais na cidade de Curitiba;


O espetáculo foi gravado em Curitiba no mês de novembro e pensado para o palco. O registro exibido ao público é uma ‘prova’ do que poderá ser assistido futuramente, em eventuais temporadas presenciais.


Quero você

Entender o que você quer de mim

Quero de você até mim uma ponte

Porque quero você ao meu lado

Do meu lado de dentro

Quero entre nós uma língua

Quero entre nós uma língua de luz

Quero entre nós uma pele infinita

Nossa, comum

Que nos cubra

Uma pele comum

Onde descansar

E onde escrever nossos nomes juntos

Num mundo maravilhoso

Colhem-se frutos maravilhosos

E todos devem comer

Se o elevador está quebrado

Quem não tem pernas talvez não consiga chegar ao encontro marcado

Se o elevador está quebrado como encontrar aquele que eu quero dentro

Sem pernas

Eu sem ele

Meu irmão?

Em sua direção lanço tudo

Pra que você perceba

A raiz da raiz das minhas intenções

E me queira

Perceba tudo de mim e me geste

Dentro e nada

Nos impeça de dançar

Em plena consciência

Esse elevador ou sobe

Ou descemos nós

Humano é criar ponte para chegar

Humano é ter vontade de chegar

Poros

Túneis

Buracos

Linguagem

Que me devolvam

Com urgência

A você

Georgette Fadel - Diretora


Ficha Técnica:

Direção: Georgette Fadel

Co-Direção: Igor Augustho

Dramaturgismo: Helena de Jorge Portela e Igor Augustho

Elenco Criador: Catharine Moreira, Helena de Jorge Portela e Nautilio Portela

Intérpretes Criadores (Libras): Talita Grünhagen e Peterson Simões

Tradução e Supervisão em Libras: Taepé - Libras e Cultura

Trilha Original e Direção Audiovisual: Chico Paes

Cenografia: Guenia Lemos I Prego Torto

Figurinos: Eduardo Giacomini

Iluminação: Beto Bruel

Pintura Artística (Cenário e Figurinos): Jorge Galvão

Edição de Vídeo: Ricardo Kenji

Captação de Áudio: Jean Augusto

Direção de Produção: Igor Augustho

Produção Executiva: Jewan Antunes

Costureira: Rose Matias

Alfaiate: Marino Ferrara

Cenotécnico: Samuel Amorim I Drigs Artes Visuais

Próteses Dentárias (Hienas): Antenor Luiz Suizani

Orelhas (Hienas): Katia Horn

Operação de Luz: Eduardo Neto

Roteiro Audiodescritivo: Helena de Jorge Portela

Consultoria em Audiodescrição: Suzana Portal

Narração Audiodescrição: Katia Drumond

Design Gráfico: Pablito Kucarz

Fotografias: Elenize Dezgeniski

Assessoria de Imprensa: Pombo Correio

Assessoria em Marketing Digital: Platea Comunicação e Arte

Produção e Realização: Pomeiro Gestão Cultural

Criação e Realização: Cia. Fluctissonante

Projeto realizado com recursos do Programa de Apoio e Incentivo à Cultura - Fundação Cultural de Curitiba e da Prefeitura Municipal de Curitiba.


SERVIÇO

De 03 a 19 de dezembro, todos os dias, 20h30, sempre pelo YouTube da Cia. Fluctissonante. Ingressos gratuitos retirados pelo Sympla da companhia: www.sympla.com.br/produtor/flucti . Sessões com audiodescrição aos domingos, 18h30.