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  • Luiz Vieira

Coletivo Legítima Defesa realiza projeto Amefricanidades na FLUP 2020

Atrações, que acontecem entre 10 de outubro e 1º de novembro, abrem espaço de encontro, diálogo e criação em torno das diferentes experiências ameríndias e negras

Luz. FOTO: DIVULGAÇÃO.


Dedicado à pesquisa sobre as poéticas e políticas em torno da negritude, o coletivo Legítima Defesa realiza o projeto Amefricanidades na FLUP 2020 - Festa Literária das Periferias, cuja programação acontece até o dia 8 de novembro na fanpages do Facebook (@FlupRJ) e no canal do YouTube (@FlupRJ).


Amefricanidades acontece em dois momentos: no Ciclo Lélia Gonzalez entre 10 a 31 de outubro, e no Diálogos Amefricanos, entre 31 de outubro e 1 de novembro.

Cunhado pela intelectual negra brasileira Lélia González, o termo “Amefricanidade” refere-se às sabedorias e às experiências negras e ameríndias no continente americano e cria possibilidades para o encontro e reflexão sobre essas diferentes experiências: um espaço para outros olhares possíveis sobre a sociedade brasileira.


Tendo essa categoria como um ponto de partida, a programação tem a proposta de criar aberturas para novos imaginários, seja no campo das artes, seja na relação com as próprias trajetórias históricas dos integrantes do coletivo. “Entendemos que a construção de novos mundos é urgente, assim como o estreitamento de laços entre coletivos cujas lutas por direito não têm convergido tanto como poderiam”, comenta o ator, diretor e DJ Eugênio Lima.


O projeto Amefricanidades é realizado pelo Coletivo Legítima Defesa e apoiado pelo Instituto Ibirapitanga.

Celia. FOTO: DIVULGAÇÃO.


Ciclo Lélia Gonzalez: Uma Intelectual Amefricana


A principal atração dentro da programação da FLUP digital é o Ciclo Lélia Gonzalez: Uma Intelectual Amefricana, que traz a curadoria de Eugênio Lima. O ciclo é composto por uma série de painéis de discussão sobre várias questões relacionadas ao universo estudado pela homenageada. As conversas são mediadas por integrantes do coletivo e convidados e têm a participação de Rosane Borges e Célia Xakriabá (10/10 às 19h); Sônia Guajajara e Raquel Barreto (17/10 às 19h); Flávia Rios e Márcia Lima (29/10 às 19h); e Carla Akotirene e Djamila Ribeiro (31/10 às 19h).


De acordo com Eugênio Lima, todo o ciclo está pautado pelo conceito de “Cartografia” e pela compreensão da obra de Lélia Gonzalez sob o ponto de vista da desterritorialização e da construção da narrativa da gente negra brasileira atual.

Como toda visão cartográfica, ela não pretende ser um caminho único e linear para o material: ela se localiza na imensidão da Diáspora Negra, com seus fluxos, contrafluxos, suas derivas e, sobretudo, seus encontros, nos diversos desdobramentos possíveis que a própria matéria do tempo exerceu sobre o pensamento de Lélia.


A proposta do ciclo é ter a obra da Lélia como um disparador para debater de maneira livre os diversos assuntos que unem o tempo passado com o tempo presente.  “Todo o projeto foi organizado como uma frente re-existência, na contramão da história oficial, na tentativa de criar um portal para uma outra história possível, que se utiliza inclusive das impossibilidades para criar a narrativa de um povo negro”, comenta Eugênio Lima. Além dos diálogos, cada painel tem uma breve videoperformance criada pelos integrantes do coletivo Legítima Defesa a partir do tema proposto para o dia.


Os painéis dos dias 10 e 17 de outubro que integram o Ciclo Lélia Gonzalez são parte da programação do projeto Amefricanidades. No dia 10/10, às 19h, Rosane Borges e Célia Xakriabá discutem o tema O que temos em comum além das nossas cicatrizes?. No dia 17/10, às 19h o tema é Amefricanidades e conta com a participação de Sônia Guajajara e Raquel Barreto.

Jaider. FOTO: DIVULGAÇÃO.


Diálogos Amefricanos


Diálogos Amefricanos é outra a atração do projeto Amefricanidade. Com a curadoria de Eugênio Lima e Majoí Gongora, trata-se de encontros com diferentes gerações de lideranças e artistas ameríndios. Os curadores conversam com Elisiane dos Santos (procuradora do Ministério Público do Trabalho de São Paulo) e Samara Pataxó (advogada e assessora jurídica do Movimento Unido dos Povos e Organizações Indígenas da Bahia e da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil) no dia 31/10, às 20h; Juma Xipaya (jovem liderança do Xingu/PA) e Sandra Benites (educadora guarani, antropóloga e curadora do MASP) no dia 1º/11, às 15h; Cacique Dorinha Pankará (liderança do povo Pankará) e Cacique Babau (liderança dos Tupinambá de Olivença) no dia 1º/11, às 16h40; e Renata Tupinambá (artista, jornalista e fundadora da Rádio Yandê) e Jaider Esbell (artista, escritor e produtor cultural do povo Makuxi) no dia 1º/11, às 18h20.


Coletivo Legítima Defesa

Criado em 2015, o coletivo Legítima Defesa é formado por artistas negrxs e realiza ações poéticas e políticas em torno da “negritude” e seus desdobramentos sociais e históricos, além de seus reflexos na construção da “persona negra” no âmbito da arte. Entre alguns trabalhos do grupo estão Legítima Defesa (2016), A Missão em Fragmentos (2016), Um Rosto à Procura de um Nome (2017) e Black Brecht - E se Brecht Fosse Negro? (2019).

O grupo conta com a participação de Eugênio Lima, Walter Balthazar, Luz Ribeiro, Gilberto Costa, Jhonas Araújo, Tatiana Rodrigues Ribeiro, Fernando Lufer, Luiz Felipe Lucas, Luan Charles e Marcial Macome.


Confira a programação completa


CICLO LÉLIA GONZALEZ – UMA INTELECTUAL AMEFRICANA

Curadoria de Eugênio Lima


10 de outubro às 19h


O que temos em comum além das nossas cicatrizes? Quais são os outros diálogos possíveis entre nós?

Rosane Borges e Célia Xakriabá

Mediação de Luz Ribeiro

Vídeo de Legítima Defesa


17 de outubro às 19h


Amefricanidades: para dar luz às sabedorias e às experiências negras e ameríndias no continente americano

Sônia Guajajara e Raquel Barreto

Mediação de Eugênio Lima

Vídeo de Legítima Defesa


29 de outubro às 19h


Lélia Gonzalez: vida, trajetória e obra

Flávia Rios e Márcia Lima

Mediação de Alex Ratts

Lançamento do livro Por um feminismo afrolatinoamericano

Vídeo de Legítima Defesa


31 de outubro às 19h


Feminismo Negro: Lélia Gonzalez e o pensamento do feminismo negro

Carla Akotirene e Djamila Ribeiro

Mediação de Flávia Oliveira

Vídeo de Legítima Defesa

DIÁLOGOS AMEFRICANOS

Curadoria de Eugênio Lima e Majoí Gongora


31 de outubro, às 20h


Vidas negras, vidas indígenas importam! Quais as estratégias possíveis para não sermos reduzidas à violência do estado genocida?

Samara Pataxó e Elisiane dos Santos

Mediação de Eugenio Lima


1º de novembro, às 15h


O papel das mulheres indígenas: ancestralidade, lideranças femininas e seus legados

Juma Xipaya

Sandra Benites

Mediação de Majoí Gongora


1º de novembro, às 16h40


Política e espiritualidade: novas alianças na ação política

Cacique Dorinha Pankará e Cacique Babau

Mediação de Eugenio Lima


1º de novembro, às 18h20


Arte Indígena Contemporânea: recuos na ancestralidade e flechas para o futuro

Renata Tupinambá e Jaider Esbell

Mediação de Majoí Gongora


Ficha Técnica:


Concepção: Eugênio Lima e Julio Ludemir. Direção Geral: Julio Ludemir. Curadoria Ciclo Lelia Gonzalez: Eugênio Lima. Curadoria Diálogos Amefricanos: Eugênio Lima e Majoí Gongora. Realização: O Instituto e Legítima Defesa. Direção de Produção (Legítima Defesa): Iramaia Gongora. Apresentação: Daniele Bernardino. Direção executiva: Renata Leite. Social media: Mariana Rocha. Assistência financeira: Patrícia Basílio. Realização Institucional: Ilana Strozenberg e Teresa Guilhon Barros. Direção de Produção: Juliana Stuart. Relacionamento institucional e captação: Joanna Savaglia. Identidade visual e design gráfico: Marcio Oliveira – Graphix. Vídeo e transmissão: 14 Agência de Conteúdo Estratégico. Produção de Comunicação e Assistência: Patricia Hanna.

Assessoria de Imprensa: Adriana Balsanelli.


Serviço: AMEFRICANIDADES NA FLUP 2020 – Festa Literária das Periferias De 10 de outubro a 1º de novembro. Grátis Transmissão: https://www.facebook.com/FlupRJ e https://www.youtube.com/FlupRJ