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  • Luiz Vieira

Codinome Madame estreia dia 15 de maio para curta temporada digital de forma gratuita

Segundo espetáculo da Trilogia Madame, da Nossa Companhia, traz reflexões sobre um mundo distópico onde os artistas são cesurados e banidos da sociedade

Foto: João Valério


Imagine o Brasil vinte anos à frente. Em um futuro distópico, a liberdade de expressão é controlada com mãos de ferro, o estado laico não existe e os artistas foram banidos da sociedade. Nesse contexto, qualquer manifestação artística é calada, mas a arte resiste e busca lacunas para respirar. Esta é a premissa de Codinome Madame, segundo espetáculo da trilogia Madame da Nossa Companhia que estreia em 15 de maio e cumpre temporada online até 31 de maio, de sábado a segunda.


Com texto e direção de Tati Bueno, codireção de André Grecco e atuação de Bia Toledo, Codinome Madame conta a saga de Madame, uma ex-atriz que acolheu artistas perseguidos, recolheu obras de artes, instrumentos musicais e livros e passou a viver clandestinamente. Com uma proposta imersiva, o espectador é convidado a entrar no universo da peça antes mesmo do espetáculo começar. Para assistir, o público deve fazer um cadastro com um codinome no site #codinomemadame, onde notícias contextualizam o futuro distópico no qual a peça se passa. O link da transmissão será enviado pelo WhastApp cadastrado. Além disso, durante a semana que antecederá a apresentação os convidados receberão “notícias” deste futuro distópico. Ao acessarem o link da transmissão, a atmosfera estará criada.

Foto: João Valério


Codinome Madame foca nos desdobramentos emocionais da protagonista e conduz o espectador pelos caminhos tortuosos da memória da personagem. “Quando começamos a trabalhar no texto o país passava por um processo de desvalorização da cultura e identificamos convergências com os períodos do pós primeira guerra e da ditadura. Começamos a imaginar para onde estávamos caminhando. Não acreditamos que esta seja uma realidade irreversível, mas é um processo que precisamos colocar em discussão”, diz a dramaturga Tati Bueno. “Vivemos em uma sociedade doente onde todos os valores estão, de alguma maneira, invertidos. A empatia é artigo raro. Esse caos todo foi causado por nós mesmos. Como vamos remediar toda essa desgraça? Não temos uma resposta, só podemos te convidar a refletir sobre como funciona a sociedade e te encorajar a mudar”, completa Bia Toledo.

O espetáculo revisita obras de poetas como Rimbaud, Brecht, Goethe, Clarice Lispector, Oscar Wilde, Fernando Pessoa, entre outros, evidenciando que as artes colaboram com a construção da memória coletiva e a história de um povo. Na jornada de Madame, acompanhamos o seu renascimento, ou o ressurgimento da arte, como um respiro em meio ao caos. Tanto artistas como amantes da arte encontram espaço para manter vivo o teatro, a música, a poesia, as liberdades, nos dando a oportunidade de refletir sobre nossa relação com a arte e como ela é necessária. “A peça é, para mim, a elaboração simbólica de tempos sombrios, nos quais se revela a crueldade humana e, ao mesmo tempo, encontra-se a urgência da vida, que há algum tempo está guardada em caixas com instrumentos musicais calados.” diz André Grecco.


Destaque, ainda, para a equipe de criação artística, o Cenário do Chris Aizner, deixa a alvenaria a mostra, exposta a nossa bandeira chamada Cortina de Boca, que chama por toda pintura, todo grafite, todo rabisco que preenche hoje qualquer página em branco, qualquer muro em qualquer lugar. A preparação da atriz foi feita sob o olhar cuidadoso de Inês Aranha e Jéssica Areias. A trilha sonora, dirigida por Felipe Antunes, toda baseada em metais, sem nenhum outro instrumento de apoio, foi executado apenas com trombone, bombardino e tuba, pelo músico por Allan Abbadia, que também assina a assistência de direção musical. "Trabalhou-se com a sensação da forja. Do metal forjado, do fogo, da ilusão de um instrumento que pode parecer outro", afirma Felipe. O tratamento final da trilha ficou por conta de Fábio Sá.


O processo de Codinome Madame começou em abril de 2019, ou seja, muito antes do isolamento social imposto pela pandemia. Mas o texto aborda os efeitos desse confinamento na saúde mental e, no caso de Madame, a arte que tem salvado muita gente, está proibida.


Sinopse


CODINOME MADAME, trata de um futuro distópico, sem ócio, sem cio, sem ar, no qual a arte foi abolida, a personagem busca forças para brotar de onde teve que encerrar-se há 20 anos, um espaço de arte desativado, que ainda guarda o cheiro de lembranças muito vivas. Madame revisita suas histórias que contracenam com a história de seu país.


Serviço

Sábado a segunda, de 15 a 31 de maio, às 21horas;

Gratuito;

Ingressos: cadastro pelo site #codinomemadame: https://sites.google.com/view/codinomemadame


Transmissão: o link será enviado por WhatsApp aos espectadores cadastrados


Ficha Técnica

Concepção: Bia Toledo e Tati Bueno

Dramaturgia: Tati Bueno

Codireção: André Grecco e Tati Bueno

Atuação: Bia Toledo

Preparação de elenco: Inês Aranha

Preparação vocal: Jessica Areias

Direção musical: Felipe Antunes

Assistente de direção musical, trombone, bombardino e tuba: Allan Abbadia

Edição e mixagem: Fábio Sá

Cenário, figurino e ilustrações: Chris Aizner

Designer gráfico: Adriana Alves

Costureira: Judite de Lima

Cenotécnico: Fernando Lemos

Acessórios: Carol Tasca

Direção de fotografia: Nara Ferriani

Desenho de luz: André Grecco e Tati Bueno

Operação de luz: Samya Peruchi

Captação de áudio e operação de som: Cecília Lüzs

Coordenação de comunicação: Dimalice Nunes

Assessoria de imprensa: Pombo Correio

Fotos: João Valério

Direção de produção: MB Produções Artísticas

Produção executiva: Beatriz Passeti e Camila Pontremoli

Realização: Nossa Companhia


Sobre a Nossa Companhia A NOSSA COMPANHIA é um coletivo de teatro aberto, um organismo fluido, que busca refletir de forma criativa os caminhos da nossa sociedade. Fundada em 2013, reuniu artistas com longas trajetórias individuais e objetivos em comum. Hoje sediada no Alvenaria Espaço Cultural, na capital paulista, tem como integrantes Alexandra DaMatta, André Grecco, Bia Toledo e Tati Bueno. A NOSSA COMPANHIA tem como propósito fundamental desenvolver uma dramaturgia própria. No atual trabalho, a trilogia MADAME, a força do universo feminino entra em cena. Madame e a Faca Cega é o primeiro espetáculo da trilogia. O trabalho teve sua primeira apresentação em março de 2021 na MoMo, a Mostra de Monólogos do Alvenaria e estreia em temporada em abril do mesmo ano. A segunda peça da trilogia, Codinome Madame, com estreia em maio de 2021, se passa em um futuro distópico onde a arte foi proibida e uma atriz passa anos enclausurada para se proteger e proteger toda a arte que conseguiu guardar. A terceira peça está em fase de pesquisa dramatúrgica.