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  • Luiz Vieira

Cia teatral Os Satyros apresenta nova temporada do espetáculo online AS MARIPOSAS

A peça se passa num futuro daqui a 100 anos, em que já não há mais flores ou animais, a peste já faz parte do dia a dia, os filhos são majoritariamente gerados in vitro, as redes sociais comandam as relações e no lugar de seres humanos há avatares interagindo

Henrique Mello e Julia Bobrow em As Mariposas, do Satyros –

Foto: Andre Stefano/Divulgação – responderfazendo.com


A cia Os Satyros inicia em junho nova temporada do espetáculo AS MARIPOSAS, estreado em fevereiro deste ano. Em 2021 a cia também foi indicada aos Prêmios APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes) e Arcanjo de Cultura (vencedor deste) pelo espetáculo “A Arte de Encarar o Medo”, emblemático experimento on-line que se transformou numa referência da criação teatral na pandemia e foi considerada pelos jornais O Globo e Folha de São Paulo uma das melhores de 2020.


AS MARIPOSAS tem dramaturgia de Ivam Cabral e Rodolfo García Vázquez, com direção de Vázquez. No elenco, treze atores veteranos da cia: Diego Ribeiro, Eduardo Chagas, Fabio Penna, Gustavo Ferreira, Henrique Mello, Ivam Cabral, Ju Alonso, Julia Bobrow, Nicole Puzzi, Marcia Daylin, Mariana França, Sabrina Denobile e Silvio Eduardo.


Neste novo espetáculo, a cia imagina um futuro distópico, daqui a 100 anos, em que são levadas ao extremo as mazelas de uma sociedade que luta para sobreviver entre a crise sanitária, os governos autoritários e suas fake news.



Com a atenção voltada às questões urgentes e mundiais que hoje vivemos, a cia mergulhou numa pesquisa em livros e ensaios sobre meio ambiente, algoritmos, fake news, biotecnologia, inteligência artificial, robótica, avatares, democracia e a construção da verdade..


Dois pontos se destacaram para o grupo: a perspectiva de que um agravamento irreversível nos danos ao meio ambiente aconteçam num tempo menor do que imaginamos; e a progressiva perda de controle sobre as nossas verdades, seja através da disseminação de fake news quanto da dependência crescente de aprovação e aceitação públicas no mundo virtual.


SINOPSE


Em 2121, um futuro distópico, um grande desastre ecológico destruiu o planeta. Não existem mais florestas e a maioria dos animais foi dizimada. A água é escassa, não chove há anos e o ar é muito pesado.


Muitos tiveram que trocar o dia pela noite, as ruas estão desertas. Os aviões sumiram do ar; os carros, das ruas. Um ditador tomou o poder há anos e, desde então, seus 87 filhos vêm se revezando no poder.


Porém, no Beco de Alma de Vera, um elegante ponto de encontro da cidade, e no escritório, que trabalha exportando algoritmos, o tempo não parou.

Márcia Araújo Dailyn em As Mariposas, do Satyros –

Foto: Annelize Tozetto/Divulgação – responderfazendo.com


PALAVRA DE AUTOR


“AS MARIPOSAS fala de um mundo distópico. A ação acontece daqui a 100 anos. Interessante imaginar que, nada do que pensemos sobre um futuro distante, não se configure como algo que já estejamos vendo hoje. Vivemos num tempo em que não se precisa mais de uma bola de cristal para imaginar o que vai acontecer com o planeta, por que o mundo já está devastado, já está irrespirável. É quase ingenuidade, porque estamos vivendo tudo isso hoje. Os corpos estão se decompondo em praça pública, isso é a realidade de 2021. AS MARIPOSAS é um alerta para a humanização do planeta, para percebermos que, apesar de tudo, ainda temos ar, rio, árvore. E que meio ambiente não é só falar de floresta, de rios - é falar de relações, é falar em modo sistêmico. Se não conseguimos mais falar em modo sistêmico, em compor e desenhar relações, o que vai acontecer conosco?”, questiona Ivam Cabral, ator e coautor do texto.


“AS MARIPOSAS é um projeto bastante ousado, acho que a gente mergulha numa nova fase da nossa pesquisa digital, também na discussão do mundo distópico em que estamos vivendo, falando de bolhas em rede sociais, ecologia, desastre ecológico, isolamento, reprodução assistida, o impacto do desastre ecológico nas nossas vidas. É um texto bastante provocativo.”, completa Rodolfo García Vázquez, diretor e coautor.


DRAMATURGIA E ENCENAÇÃO


Todas as sessões serão apresentadas em transmissão ao vivo e on-line, diretamente das casas dos atores e também do Espaço Satyros I (sala de espetáculos que a companhia mantém na Praça Roosevelt, Centro de São Paulo), onde três dos treze atores estarão. Haverá projeções (operadas pelo próprio elenco) e uso criativo de novas ferramentas visuais e outras já disponíveis nas plataformas de videoconferência, em continuidade à pesquisa de linguagem que a cia tem desenvolvido através dos seus espetáculos digitais.


Desde 2009, Os Satyros vem pesquisando suportes tecnológicos dentro da experiência teatral. Naquele ano, a companhia estreou “Hipóteses para o Amor e a Verdade”, que recorria a telefones celulares (do elenco e do público), internet e sites interativos.


Desde então, realizou várias pesquisas com abordagem tecnológica, como em “Cabaret Stravaganza” (2011). Em 2014, realizou o projeto “E Se Fez a Humanidade Ciborgue em 7 Dias”, em que pesquisaram aspectos da vida ciborgue em sete espetáculos e perspectivas diferentes.

Em AS MARIPOSAS, Os Satyros investigam o impacto das tecnologias na construção das relações interpessoais, na forma de enxergar e lidar com os problemas e fatos do mundo contemporâneo, passando por temas como meio ambiente, reprodução assistida, eutanásia, criogenia, gaslighting, avatares, espectro autista, suicídio, disputas do poder, manipulação dos discursos de ódio e a construção da verdade.


Ivam Cabral e Rodolfo García Vázquez, dramaturgos da obra, inspiram-se, ainda, no clima apocalíptico em que todos vivemos, em paralelo com o Livro do Apocalipse, mais especificamente nos Sete Anjos do Apocalipse e no capítulo 8, versículos 10 e 11:

"E o terceiro anjo tocou a sua trombeta e caiu do céu uma grande estrela, ardendo como uma tocha, e caiu sobre a terça parte dos rios, e sobre a fonte das águas e o nome da estrela era absinto, e a terça parte das águas tornou-se em absinto, e muitos homens morreram das águas, porque se tornaram amargas."


AS MARIPOSAS – TERCEIRA PARTE DE UMA TRILOGIA


A peça é a terceira parte de uma trilogia que reflete sobre os tempos que vivemos, batizada de “Trilogia Distópica”. A primeira parte foi a peça “A Arte de Encarar o Medo”, que falava do choque e da perplexidade de um mundo em suspensão com a chegada da pandemia; e a segunda foi “Novos Normais – sobre sexo e outros desejos pandêmicos” que falava das primeiras sequelas experimentadas no confinamento prolongado.


OS SATYROS NA PANDEMIA


Com o período de isolamento, o monólogo de Ivam Cabral, "Todos Os Sonhos do Mundo", passou a ser apresentado de modo on-line, em temporada regular, pelo Instagram. Esse foi o pontapé inicial para o surgimento do Espaço Satyros Digital, que passou a receber os espetáculos digitais da companhia, concebidos na plataforma Zoom.


A pioneira “A Arte de Encarar o Medo”, criada e apresentada em 2020, recebeu três montagens: as versões brasileira, afro-europeia e norte-americana, todas dirigidas e ensaiadas remotamente pelo diretor brasileiro Rodolfo García Vázquez, e vistas por mais de 30.000 pessoas pelo mundo. As duas versões internacionais, chamadas “The Arte Of Facing Fear”, reuniram em suas montagens 10 países de 4 continentes (Brasil, EUA, Inglaterra, Senegal, Nigéria, Cabo Verde, África do Sul, Zimbabwe, Alemanha, Suécia). Foram vencedoras dos Prêmios de Melhor Espetáculo e Melhor Elenco no festival indiano Red Curtain, de Calcutá, e indicadas em seis categorias ao BroadwayWorld de Los Angeles, incluindo Melhor Espetáculo, Elenco e Direção.


A cia Os Satyros, uma das mais ativas durante a pandemia (estreou 6 espetáculos on-line, além de realizar o festival Satyrianas em formato digital, com mais de 400 atrações, em 2020), é também uma das mais antigas e importantes em São Paulo, já produziu em 32 anos mais de 100 espetáculos, se apresentou em 27 países e ganhou mais de 100 prêmios – incluindo os maiores do teatro brasileiro, como APCA, Shell, Mambembe, APETESP e Governador do Estado de São Paulo.


FICHA TÉCNICA


Texto: Ivam Cabral e Rodolfo García Vázquez

Direção: Rodolfo García Vázquez


Elenco / Personagem:

Diego Ribeiro Penitente

Eduardo Chagas Rômulo

Fabio Penna Alisso


SERVIÇO:


NOVA TEMPORADA: de 04 de junho a 25 de julho


ONDE COMPRAR E ASSISTIR: https://www.sympla.com.br/espacodigitaldossatyros


HORÁRIOS: 6ª e sábado às 21h; domingo às 18h / INGRESSOS: R$10,00 e gratuito /


DURAÇÃO: 90 min / GÊNERO: drama / CLASS. INDICATIVA: 18 anos


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