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  • Luiz Vieira

Cantos de Xícaras, solo de Helena Miguel, faz temporada online de 18 a 27 de março

Explorando a mistura da linguagem teatral com a linguagem audiovisual, a encenação cria um ambiente estilo casa de vó, onde a artista e o público tomarão um chá da tarde juntos e revisitarão o tempo e suas memórias

Foto: André Vidal.


Num país marcado pelo protagonismo masculino e o machismo, quantas histórias fascinantes de mulheres não chegaram até nós? Inspirado por esta pergunta, o espetáculo volta ao passado e resgata as vozes soterradas de tantas mulheres que não foram ouvidas. Cantos de Xícaras, solo escrito, interpretado e dirigido por Helena Miguel (com co-direção de Aline Filócomo e Thiago Amaral) faz temporada online de 18 a 27 de março.


Cantos de Xícaras é uma "peça-chá-experiência” que nasce do desejo da também idealizadora Helena Miguel: revisitar muitas cartas, canções, cadernos de poesias, matérias de jornais, revistas e fotografias que chegaram até suas mãos por meio de guardados das mulheres de sua família e unir a este material outras histórias e tesouros de outras mulheres, com intuito de tecer uma colcha de retalhos de histórias resgatadas, recriadas, revisitadas e inventadas de tantas vozes que estão à beira do esquecimento.


Como protagonista, uma xícara centenária, que já foi muito usada, já participou de muitos eventos, e agora jaz esquecida como enfeite em uma estante empoeirada, aguardando angustiada o dia de sua queda, de sua quebra ou de seu abandono. Conduzido pela voz inanimada desta xícara, o público é convidado a regressar a outros tempos, viajar por vários cantos de uma casa e saber das histórias, memórias e canções presentes em muitos chás da tarde entre mulheres.


“Resgatar estas vozes e estes fragmentos de memórias é, na verdade, resgatar as vozes constituintes da nossa história e dar visibilidade às mulheres idosas e um universo de saberes da tradição oral que vão se perdendo com o tempo”, conta Helena.

Foto: André Vidal.

Sinopse

Esquecida em uma prateleira empoeirada e à beira de entrar na partilha de bens de uma família de São Paulo, uma xícara centenária resolve compartilhar com o público suas reflexões e resgatar as memórias do seu tempo de existência.


Relíquia resistente ao tempo, ela é a única de uma família de sete xícaras que permaneceu firme depois de tantas décadas. Percebendo que está prestes a ser encaixotada, que não participa mais dos chás de antigamente e a beira do esquecimento, ela resolve revisitar tantas histórias que testemunhou e que guarda no côncavo de sua porcelana, dando voz às memórias das bocas que a beijaram e que a acompanharam em tantas tardes de chá, em noites de frio, em manhãs de sol, com o desejo de que estas vozes permaneçam presentes junto à permanência desta xícara no tempo.


A montagem

Todos os materiais utilizados para elaboração do cenário, figurino e iluminação são usados e impregnados de histórias reais, testemunhas do tempo. O cenário é a própria casa da atriz, ambientada com móveis e objetos de suas ancestrais. Já a maior parte das gravações audiovisuais - que permeiam toda a peça - foram gravadas na casa da avó da atriz, localizada na Av. Rebouças, em São Paulo.


Os figurinos também são confeccionados por meio do aproveitamento de tecidos, anáguas, botões solitários, vestidos de avós, emaranhados de memórias, marcas do tempo e experiências. A iluminação fica por conta de luzes domésticas como abajures, lamparinas e velas.


Para a concepção musical do trabalho, o ponto de partida foi a tradição oral e a ambiência sonora na qual está inserida a história: vozes que emergem contando casos lá no quintal, portas que se abrem, vitrolas, vassoura que retira o pó do assoalho de jacarandá, a louça recebendo o líquido quente ou se encontrando no brinde de comemorações.


Sobre Helena Miguel

Atriz, palhaça, diretora e arte educadora. Graduada em Licenciatura em Artes/Teatro pela Unesp e em interpretação pela Escola de Arte Dramática da USP. Na linguagem áudio visual protagonizou a série "Empurrando com barriga", dirigido por Daina Giannecchini; protagonizou o curta metragem "Fel", dirigido por André Muñoz; atuou no longa metragem "13 Andares", dirigido por Eliana Fonseca; interpretou Nair de Teffé no "Programa Retrovisor", dirigido por Paulo Markun, no Canal Brasil, dentre outros. No teatro atuou em diversos espetáculos como: "Os atores", dramaturgia inédita de Marcelino Freire; "Tentativas Contra Vida dela", apresentado em São Paulo e em Lisboa; o solo de palhaçaria "Cardiograma", apresentado no Festival Internacional de Palhaças Mulheres da Catalunha, Espanha e em São Paulo; "Macunaíma, o herói sem nenhum caráter,um brinquedo", dirigido por Cristiane Paoli Quito, "Cabaré Garcia", dirigido por Renan Tenca, "Exit", dirigido por Bete Dorgam, etc. No exterior teve experiêcias com teatro na Índia, Itália, Espanha e Portugal. É também fundadora e diretora da Associação Cultural Sem Fins Lucrativos Pronto Sorrir que, desde 2012, promove atividades artísticas em hospitais pediátricos de São Paulo.

Ficha técnica:

Concepção, Direção, Dramaturgia e Interpretação: Helena Miguel

Co-direção: Aline Filócomo e Thiago Amaral

Direção musical: Isadora Títto

Direção de Fotografia: Sol Faganello

Produção Audiovisual e Transmissão: Dita Produtora

Direção de Arte e Design gráfico: Eliza Freire

Produção: Ana Elisa Mello e Samya Enes – Cotiara Produtora

Assessoria de imprensa: Pombo Correio


SERVIÇO

Dias: 18, 19, 20, 25, 26 e 27 de março

Horário: No chá da tarde: sempre às 17h.

Onde: Via plataforma Zoom (Aos sábados - dias 20 e 27 de março - o espetáculo também será transmitido ao vivo via plataforma do Youtube).

Duração: 60 minutos.

Classificação: Livre.

Ingressos: gratuitos, mas sugerimos que todes tragam suas xícaras para brindarmos juntes ao fim de cada espetáculo.

Contato: Cotiara Produtora

O projeto foi contemplado pela Lei Emergencial Aldir Blanc no edital Proac Lab Expresso 36/2020 do Estado de São Paulo.